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Brasil vai à Suécia receber primeiros caças Gripen; aviões chegam ao País só em 2022

Quatro jatos supersônicos suecos virão em dois cargueiros no primeiro trimestre do próximo ano; valor do contrato é estimado em US$ 5,4 bi para total de 36 aeronaves

24 nov 2021 19h28
| atualizado às 20h28
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A Força Aérea Brasileira começou a receber nesta quarta-feira, 24, os primeiros caças F-39E Gripen operacionais, de combate, fornecidos pela empresa sueca Saab. O lote inicial de quatro jatos supersônicos foi apresentado à tarde em Linkoping, no sul da Suécia.

Os aviões não virão imediatamente para o Brasil. Deverão ser embarcados em navios cargueiros, de dois em dois, já montados. O desembarque, provavelmente no porto de Navegantes, em Santa Catarina, ocorrerá no primeiro trimestre de 2022. Depois de uma revisão de três dias, voarão para Gavião Peixoto, no interior paulista. Em setembro de 2020 um F-39E já havia sido entregue à FAB, preparado para executar testes e trabalho de desenvolvimento no Centro de Ensaios em Voo mantido pela Saab e pela Embraer Defesa e Segurança (EDS).

A encomenda total é de 36 caças - 8 deles do modelo F, bipostos. Essa versão de dois lugares, para ataque especializado e treinamento, está sendo projetada por engenheiros da EDS e da Saab. Será construída em Gavião Peixoto.

Acordo com Saab prevê ampla transferência de tecnologia

O valor do contrato é estimado em cerca de US$ 5,4 bilhões ou 39,3 bilhões de coroas suecas, cobrindo apoio logístico, armas e simuladores. O acordo prevê ampla transferência de tecnologia. O último avião sairá da linha de montagem em abril de 2026. O financiamento é de 25 anos.

Segundo um oficial da Aeronáutica ligado ao programa, o Gripen deve ser o último caça adquirido de um fornecedor estrangeiro pela Força Aérea.

"O próximo, com o qual vamos ter de nos preocupar lá pelo ano de 2035, será todo nacional - da concepção à produção - e o advento do Gripen será decisivo no processo", disse o oficial. Nesta quarta-feira, 24, os F-39E 4101, 4102, 4103 e 4104 foram recebidos formalmente pelo comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos Baptista Jr., depois de uma apresentação técnica para militares brasileiros e suecos, que receberam duas aeronaves do mesmo tipo.

Fazia frio de 7 graus em Linkoping, sol tímido entre nuvens, na tarde desta quarta-feira, 24, na linha de voo dos quatro F-39E pintados no padrão de camuflagem das missões de superioridade aérea a que se destinam: tons de cinza, para confundir a visão a grande altitude e longa distância Uma visão "emocionante" para o comandante Baptista Jr, ele próprio um piloto de caça.

A imagem do jato compacto, de desenho fino, pode vir a ser mais frequente no espaço aéreo brasileiro do que a resultante da encomenda de 36 anos. Vista sempre como inicial, a aquisição atual pode crescer, chegar talvez até 120 jatos. O assunto é reservado.

O mantra oficial reza que a preocupação prioritária é cumprir a encomenda em andamento. Fora dos limites formais, todavia, há sérios estudos a respeito da contratação de novos lotes do Gripen, com crescente participação da indústria nacional e avanços tecnológicos. Ao estilo discreto da diplomacia empresarial, a Saab reconhece a "informação pública" de que a FAB tem necessidade de mais de 36 aeronaves. Para o líder do contrato, Linus Narby, "o desenvolvimento do contrato resultou num vasto programa de transferência de tecnologia através de sólidas parcerias com empresas brasileiras". A Saab tem experiência nesse modelo. O Gripen tem 60 fornecedores de partes e componentes.

A série E é um pouco maior que a C, anterior. Tem raio de alcance de 1.500 km em missão de interceptação. Pode levar 5.7 toneladas de mísseis, foguetes e bombas. Também é dotado de recursos para reabastecimento de combustível em voo. A configuração da FAB sofreu mudanças, como incorporação de duas grandes telas digitais no painel da cabine de pilotagem e o sistema Link Br2, que fornece dados criptografados e comunicação de voz. Há mais que isso, na integração de armas. Essas informações, entretanto, são consideradas sigilosas.

O F-39E precisa de apenas 15 minutos de preparo no solo, atendido por apenas 5 técnicos, para ser rearmado e abastecido entre uma missão e outra. Além da facilidade de acesso, a equipe conta, no computador de bordo, com um programa que identifica o armamento. O custo de hora de voo é relativamente baixo, sai por US$ 4,5 mil. Comparativamente, o avançado caça F-35 Lightining, o mais avançado do arsenal dos Estados Unidos, consome US$ 35 mil a cada hora.

Estadão
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