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Após protestos, governo da França se diz aberto ao diálogo

9 dez 2018
10h47
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Presidente Macron deverá romper o silêncio e anunciar "medidas importantes" depois de nova rodada de manifestações em todo o país. Paris e outras cidades voltam à normalidade enquanto contabilizam os danos.Após a quarta semana seguida de protestos dos chamados "coletes amarelos" na França contras as políticas o presidente Emmanuel Macron, o governo francês se diz aberto para discutir as demandas dos manifestantes e sinaliza o anúncio de medidas importantes nos próximos dias.

Manifestante dos "coletes amarelos" ergue a bandeira da França em barricada na avenida Champs-Élysées, em Paris
Manifestante dos "coletes amarelos" ergue a bandeira da França em barricada na avenida Champs-Élysées, em Paris
Foto: DW / Deutsche Welle

O porta-voz da presidência Benjamin Griveaux afirmou neste domingo (09/12) que Macron, que se manteve em silêncio desde que retornou da cúpula do G20 há sete dias, fará um pronunciamento à nação no início da semana. Ele não entrou em detalhes, mas disse se tratar de "anúncios importantes".

"Quando vemos esse nível de protestos, fica claro que precisamos mudar nossos métodos" afirmou Griveaux. O porta-voz, porém, alertou que "nem todos os problemas dos 'coletes amarelos' poderão ser resolvidos com uma varinha mágica".

As autoridades calculam que cerca de 125 mil pessoas participaram das manifestações em várias cidades do país, indicando, porém, uma redução em relação aos 136 mil da semana anterior.

Após os protestos deste sábado, o primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, disse que "o diálogo está aberto e deve continuar", afirmando que o presidente "proporá medidas para alimentar esse diálogo".

Com Macron se mantendo longe dos holofotes nesta semana, Philippe se viu na função de responder publicamente pelo governo, anunciando inclusive o cancelamento do aumento dos impostos sobre os combustíveis, que foi o estopim das manifestações.

Os atos de violência deste sábado foram em escala menor do que a destruição e os saques ocorridos na semana anterior, quando o país viveu os protestos mais violentos das últimas décadas, com cerca de 200 carros queimados nas ruas e várias lojas saqueadas.

Para este fim de semana o governo adotou uma política de tolerância zero, afirmando que grupos da extrema-direita, anarquistas e outros tentavam se apropriar dos protestos e promover atos violentos. As autoridades destacaram um reforço de 89 mil policiais em todo o país. Na capital, 8 mil membros adicionais das forças de segurança foram acionados.

Mas, mesmo com o reforço da segurança, cidades como Marselha, Bordeaux, Toulouse e Lyon tiveram incidentes com automóveis incendiados, vitrines apedrejadas e confrontos entre manifestantes e policiais.

Os maiores danos, porém, foram registrados em Paris. "Dezenas de proprietários de lojas se tornaram vítimas dos vândalos", lamentou a prefeita Anne Hidalgo, condenando os atos de violência.

O ministro francês da Economia Bruno Le Maire, lamentou os prejuízos causados durante as manifestações. "É uma catástrofe para o comércio e para a nossa economia", afirmou a repórteres neste domingo, enquanto vistoriava lojas saqueadas no dia anterior.

O ministério do Interior informou que cerca de 1.220 mil pessoas foram detidas para averiguações em diversas cidades francesas. A polícia realizou verificações em estações de trem e locais de concentração de manifestantes, apreendendo objetos que poderiam ser utilizados em ataques, como martelos, pedras e estilingues.

Em Paris, os serviços de saúde afirmaram que 179 pessoas foram atendidas nos hospitais, a maioria, com ferimentos leves. O ministro do Interior, Christophe Castaner, disse que 17 policiais ficaram feridos.

O movimento dos coletes amarelos - nome que se refere ao colete fluorescente de sinalização que os motoristas possuem em seus veículos - se espalhou para além das fronteiras da França, com protestos ocorrendo na Holanda e na Bélgica. Em Bruxelas, cerca de 400 pessoas foram detidas em confrontos com a polícia.

Neste sábado, as principais atrações turísticas de Paris, como a torre Eiffel e o Museu do Louvre, foram fechadas, assim como as lojas em grande parte da cidade. Após uma enorme operação de limpeza nas ruas da capital, o comércio voltou a abrir as portas e retornar à normalidade.

Os protestos começaram no dia 17 de novembro, com motoristas irritados com um aumento dos impostos sobre combustíveis programado para janeiro de 2019, e ganharam dimensões maiores, passando a incorporar queixas sobre as políticas de Macron que, segundo os manifestantes, beneficiam apenas os mais ricos.

Os coletes amarelos - nome que se refere ao colete fluorescente de sinalização que os motoristas possuem em seus veículos - denunciam o que consideram um descaso do presidente para com os problemas das pessoas comuns na França.

Os manifestantes também denunciam aumentos nos gastos domésticos gerados pelo imposto sobre o diesel, que o governo justifica como sendo necessário para o combate ao aquecimento global e proteção do meio ambiente.

Na última quinta-feira, o governo francês cedeu à pressão das ruas e cancelou o aumento dos impostos sobre os combustíveis. Os organizadores dos protestos, porém, afirmaram que a decisão veio tarde demais, e mantiveram as exigências de novas concessões do governo que incluiriam o aumento do salário mínimo, redução dos custos de energia e melhoras nos benefícios para a aposentadoria.

RC/afp/rtr/ap

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