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Análise: PSL, de súbito gigante a candidato a nanico

Se Bolsonaro deu vida e projeção ao PSL, sua saída pode no melhor dos cenários fazer com que o partido encolha drasticamente e comprometa seu futuro

9 out 2019
13h53
atualizado às 14h03
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"Esqueça o PSL", seu presidente "está queimado pra caramba". Com essa frase amplamente repercutida pelos meios de comunicação, atribuída a Jair Bolsonaro, principal personalidade da legenda, o governo e o maior partido de sua base estão novamente imersos no centro de uma crise política gestada nas entranhas do bloco governista sem nenhuma contribuição da oposição. O novo litígio confirma que o PSL, até o momento, tem sido um ajuntamento de diferentes interesses individuais, de grupos e corporações sem experiência partidária e com pouca identidade - que se uniram para eleger Bolsonaro.  

A principal personalidade pública que passou pela legenda antes de Bolsonaro havia sido Celso Pitta, entre 2001 e 2003, no auge de um escândalo de corrupção que quase lhe custou o mandato de prefeito de São Paulo. Em 2002, o PSL elegeu Flamarion Portela como governador de Roraima e este ainda ao final do seu primeiro ano de mandato acabou migrando para o PT.  

Buscando se constituir como uma legenda programática do liberalismo clássico, em 2015 o PSL abriu espaço para a chegada do Movimento "Livres", organização de característica liberal na economia e libertária nos costumes. A filiação de Bolsonaro em 2018 implicou na saída do Livres e no ingresso de grupos da base de apoio do bolsonarismo.

Saíram economistas liberais e ativistas libertários com objetivos comuns e entraram delegados, militares, líderes religiosos e grupos conservadores sem nada que os ligassem em torno de alguma ação coletiva. A escolha do PSL foi por um projeto eleitoral-personalista.

O custo do dilema da escolha de 2018 e da construção artificial do grande partido está posto agora. O PSL não é mais a maior bancada da Câmara dos Deputados, perdeu personalidades e parlamentares por causa de brigas internas e está cada vez mais parecido com o PRN que elegeu Color: dependente da principal liderança política. Se Bolsonaro deu vida e projeção ao PSL, sua saída pode no melhor dos cenários fazer com que o partido encolha drasticamente e comprometa seu futuro.

* Cientista político e um dos editores do Blog "Gestão, Política & Sociedade"

Estadão
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