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Aliança com PT e votos do PSB tornam tucano favorito à reeleição na Alesp

Apoiado pelo governador João Doria, Cauê Macris (PSDB) conta com o apoio de partidos de esquerda, que visam cargos na Mesa Diretora, para impedir ascensão de Janaína Paschoal, do PSL

17 fev 2019
05h11
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SÃO PAULO - Apesar da alta renovação (55%) entre os deputados estaduais eleitos em 2018 e do encolhimento das 'bancadas tradicionais', a engrenagem política que comanda a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) há mais de uma década se uniu em torno da candidatura à reeleição do tucano Cauê Macris. O objetivo é evitar a ascensão do PSL da deputada Janaína Paschoal, que se lançou candidata, e manter o controle da Casa.

Pela sétima eleição seguida, PSDB, PT e DEM devem fechar acordo pela eleição da Mesa Diretora, que ocorre no dia 15 de março, e manter seus respectivos cargos na estrutura de poder do Legislativo. Além de Macris na presidência, o petista Ênio Tatto e o democrata Milton Leite Filho devem ser indicados para ocupar a primeira e a segunda-secretaria, respectivamente. Os três postos têm cerca de 130 cargos à disposição.

Deputada mais votada na eleição de 2018, com mais de dois milhoes de votos, e liderança do partido com a maior bancada (15 deputados), Janaína tem apostado na mesma estratégia de pressão externa de combate à "velha política" que fez Davi Alcolumbre (DEM-AP) derrotar Renan Calheiros (MDB-AL) na disputa pela presidência do Senado, no início do mês. Uma corrente pedindo voto na deputada do PSL está lotando as caixas de e-mails de deputados estaduais.

Na semana passada, a própria Janaína já havia disparado e-mails aos colegas pedindo voto para tentar quebrar a hegemonia do PSDB no comando da Casa - foram 11 vitórias tucanas nas últimas 12 legislaturas. Prometeu "abrir a Casa", criticando o fato de as decisões serem tomadas na reunião de colégio de líderes, que é fechada, e dar voz a todos os parlamentares. A estratégia, porém, não caiu bem entre os políticos mais experientes, que ressaltaram que "política se faz olho no olho".

Antes mesmo de se lançar candidata, no início da última semana, Janaína chegou a procurar o PSB do ex-governador Márcio França, que enfrentou uma dura campanha contra o tucano João Doria ao governo e sofreu boicote da bancada do PSDB no ano passado. Mas ouviu que o partido lançaria Barros Munhoz, ex-tucano que já presidiu a Casa duas vezes. Munhoz, contudo, disse ao Estado que sua candidatura é praticamente inviável diante da ampla aliança feita por Macris.

Outro revés de Janaína ocorreu na bancada do Novo, que decidiu lançar candidato próprio (Daniel José), rachando o grupo que diz representar a "nova política". "A gente entrou (elegeu-se) para mudar isso aqui, não para presidir a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). E para mudar tem que ocupar a Mesa Diretora. Desse jeito, eles (partido Novo) prestam um serviço ao PSDB", lamentou ela.

Macris. Aliados de Cauê Macris afirmam que o atual presidente já tem 63 votos entre os 94 parlamentares (para vencer é preciso de ao menos 48 votos). Em resposta a Janína, o grupo começou a coletar na última semana assiantura de deputados que votarão no tucano. "Apenas três partidos não apoiam o Cauê. Não haverá surpresas", disse o deputado Campos Machado (PTB), referindo-se a PSL, Novo e PSOL, que terão candidatos próprios.

Filho do deputado federal Vanderlei Macris (PSDB), que presidiu a Alesp entre 1999 e 2001, Cauê tem o apoio do governador João Doria (PSDB), a quem ajudou na articulação dentro do partido para viabilizar a candidatura do ex-prefeito mesmo antes de ele deixar a Prefeitura, em abril de 2018.

O favoritismo não seria possível sem os votos dos dez deputados do PT, que tem feito aliança com o PSDB para ocupar a primeira-secretaria da Casa desde 2007, na eleição de Vaz de Lima. Os petistas sempre afirmaram que o apoio interno aos tucanos respeitava a proporcionalidade das bancadas. Ou seja, a maior bancada tinha o direito de presidir a Alesp e a segunda de ocupar a primeira-secretaria.

Agora, porém, a bancada tucana é apenas a terceira (caiu de 19 para 8 deputados), atrás do PSL, com 15, e do PT, com 10. Ainda assim, a líder petista Beth Sahão diz que Cauê Macris foi o único candidato que procurou o apoio da bancada. "Não temos acordo com ninguém ainda, mas é legítimo que o PT pleiteie cargo na Mesa Diretora, pelo tamanho que tem e para manter um contraponto importante no comando da Casa. Um acordo com o PSDB não vai mudar em nada o nosso papel como oposição ao governo Doria. Com o PSL a divergência é muito maior, não tem o que negociar", disse a deputada.

Com o mesmo número de deputados tucanos (8), a bancada do PSB está dividida. Uma ala ainda tenta viabilizar a candidatura de Barros Munhoz para tentar levar a eleição pela presidência da Alesp para o segundo turno, enquanto outro grupo prefere se aliar ao PSDB para garantir na negociação um cargo na Mesa Diretora e a presidência de comissões importantes. / COLABOROU PEDRO VENCESLAU

Estadão

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