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Alckmin busca Temer por diálogo com Lula e tenta desfazer 'ruídos' sobre reforma trabalhista

Pré-candidato a vice na chapa petista se encontra com ex-presidente, que se mostrou aberto a conversas

28 jun 2022 - 21h01
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BRASÍLIA - O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB), pré-candidato a vice na chapa do ex-presidente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), iniciou um movimento de aproximação da campanha com o também ex-presidente Michel Temer (MDB). Alckmin procurou Temer com o objetivo de desfazer o mal-estar provocado por declarações de petistas que até hoje o chamam de "golpista" e "escravocrata". A conversa serviu para Alckmin mostrar que Lula quer ter uma boa relação com o ex-presidente. Temer se mostrou disposto ao diálogo.

A reunião ocorreu na última sexta-feira, 24, no escritório de Temer, na capital paulista. A iniciativa partiu de Alckmin, que pediu ao ex-deputado Gabriel Chalita para convidar o ex-presidente. Chalita e o marqueteiro Elsinho Mouco, aliado próximo do emedebista, também estavam presentes.

O ex-presidente Lula durante lançamento de prévia de programa do partido; petista dialóga com o centro Foto:

Temer apoia a senadora Simone Tebet (MDB-MS) na eleição presidencial, mas elogiou a decisão de Alckmin de aceitar ser vice de Lula. De acordo com ele, o ex-governador dará "equilíbrio" à chapa petista.

Um dos participantes do encontro definiu a reunião como "um primeiro lance desse jogo de xadrez". Segundo relatos, Temer disse a Alckmin: "Eu convivi com o PT. Você vai saber conviver e é bom porque você traz um equilíbrio maior para eles, mesmo na campanha. É uma convivência que vai ser proveitosa para a chapa".

Apesar desse movimento, ainda não foi marcado um encontro entre os dois ex-presidentes. Desde o impeachment de Dilma Rousseff (PT), em 2016, Lula e o emedebista não se falam. Recentemente, o petista tentou uma aproximação por meio de alguns emissários, mas não obteve sucesso. Há cerca de um mês, em uma entrevista, Lula enviou recado de que busca uma ampla frente de apoio nesta eleição, mesmo com quem foi ou é adversário do PT.

Lula: 'Faço política vivendo o momento'

"Eu não faço política parado no tempo e no espaço. Faço política vivendo o momento que estou vivendo. Agora, estou conversando com muita gente que participou do golpe contra a Dilma. Porque, se eu não eu não conversar, não se faz política", disse o pré-candidato do PT.

Ao falar com Alckmin, nesta sexta-feira, Temer deixou claro que continua apoiando Simone para a Presidência. Afirmou que tem a expectativa de que ela cresça nas pesquisas, mas, mesmo assim, deixou a porta aberta para uma convivência pacífica com Lula.

Eleições 2022

Na avaliação do ex-chanceler Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), Temer deve apoiar Lula em um eventual segundo turno entre o petista e o presidente Jair Bolsonaro (PL). "Palpite: no segundo turno, diante da inevitabilidade da vitória do Lula, dificilmente o MDB deixaria de apoiá-lo. E aí, não vejo o presidente Temer na posição de dissidente. Repito, palpite", afirmou o tucano. Aloysio foi ministro das Relações Exteriores no governo Temer, além de líder no Senado. Embora esteja no PSDB, partido que decidiu compor a aliança com Simone, o ex-chanceler disse ao Estadão que já está na campanha de Lula.

Alckmin levou a Temer o recado de que as críticas dos petistas à reforma trabalhista -- aprovada em 2017, no governo do MDB - foram feitas no "calor da campanha". Após muita polêmica na divulgação das diretrizes do programa de governo da chapa Lula-Alckmin, o PT excluiu o verbo "revogar" do capítulo sobre a reforma trabalhista. No seu lugar, passou a defender uma revisão da reforma.

Temer não escondou o incômodo de ser classificado como "golpista" por aliados de Dilma, de quem ele foi vice e herdou o mandato de presidente após a crise que culminou no impeachment. Alckmin afirmou que isso não representa a opinião de Lula e que o petista tem "consideração" por Temer.

O diálogo com o ex-presidente faz parte de um conjunto de ações que Alckmin tem desempenhado para se aproximar de setores refratários ao PT. O ex-governador paulista também tem atuado para diminuir as resistências a Lula no meio empresarial, entre militares e evangélicos.

MDB lança Simone; diretórios se dividem

Mesmo com a decisão de lançar Simone como candidata ao Palácio do Planalto, diretórios do MDB, principalmente no Nordeste, apoiam Lula. Outra ala do partido, concentrada no Sul, tem acenado a Bolsonaro. A cúpula do MDB, por sua vez, tem reforçado a aposta em Simone e explorado a parceria com o PSDB, que caminha para indicar o senador Tasso Jereissati (PSDB) como candidato a vice na chapa. Tasso e Simone vão participar, na próxima quinta-feira, 30, de um ato em comemoração aos 28 anos do Plano Real.

Aliado de Tasso, mas crítico da candidatura de Simone, o ex-presidente do Senado Eunício Oliveira (MDB-CE) evitou criticar o tucano, a quem chamou de "grande nome", e disse que o principal prejudicado com a entrada dele na chapa é o presidenciável do PDT, Ciro Gomes. "Isso acaba de matar Ciro no Ceará. Com a entrada de Tasso, Ciro vira pó", observou Eunício, que é adversário do pré-candidato do PDT. Apesar de integrar as fileiras do MDB, Eunício faz parte da ala que prega aliança com Lula desde o primeiro turno.

Para reforçar o apoio da cúpula do partido, o presidente do MDB, Baleia Rossi, disse nesta terça-feira, 28, que tem "enorme orgulho" do projeto presidencial de Simone. "Tenho enorme orgulho de atuar no projeto do centro democrático, com o PSDB e o Cidadania , liderado pela minha amiga e senadora Simone Tebet. O Brasil merece uma alternativa aos polos, com uma candidatura que represente o equilíbrio!", afirmou o deputado no Twitter.

Estadão
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