PUBLICIDADE

"Era uma bomba-relógio prestes a explodir", diz denunciante sobre procurador que agrediu chefe

Demétrius Oliveira Macedo espancou covardemente a procuradora-geral de Registro após ser alvo de um processo administrativo

23 jun 2022 15h26
| atualizado às 18h34
ver comentários
Publicidade
Como não havia provas contra o agressor da procuradora se foi filmado?:

Foi a agente administrativa Thainan Maria Tanaka, de 29 anos, quem denunciou o procurador Demétrius Oliveira Macedo, de 34, após uma série de atitudes agressivas do colega de trabalho. Ao receber a intimação que seria suspenso por 30 dias a partir de segunda-feira, 20, ele espancou, covardemente, a procuradora-geral Gabriela Samadello Monteiro de Barros, de 39, que tinha recebido a reclamação e dado andamento ao procedimento interno de apuração.

Ao saber das agressões e ver a chefe sendo agredida, Thainan diz que sentiu muito pela colega, mas não se surpreendeu com a explosão de fúria de Demétrius. Em entrevista ao Terra, a servidora da prefeitura lembra que até deixou de ir trabalhar naquele dia, por medo da reação do agressor ao saber do aviso de suspensão por 30 dias para o andamento do processo de apuração de sua denúncia.

"Ele ia receber a notícia da suspensão e, como já estávamos aterrorizadas há um tempo pelo comportamento dele, eu queria estar bem longe mesmo", diz a denunciante de Demétrius.

Procuradora foi agredida por colega de trabalho em SP
Procuradora foi agredida por colega de trabalho em SP
Foto: Reprodução

Thainan diz que Demétrius trabalhava no setor há cerca de um ano e que, desde o início, causava desconforto em seus colegas de trabalho, predominantemente composto por mulheres. "Quando ele entrou, o clima mudou totalmente", aponta. Segundo ela, o procurador acumulava desavenças com outros colegas por motivos fúteis, trazendo sentimento de insegurança para todos que conviviam com ele. 

O setor fica dentro da Prefeitura de Registro (SP). É um espaço com diversas divisórias, sendo que cada um dos procuradores, três mulheres e Demétrius, tem sua própria sala. Uma área comum, próxima à porta de saída, abriga três mesas com computadores destinadas aos três agentes administrativos, sendo duas mulheres e um homem, que chegou na equipe há apenas dois meses.

Foi nessa sala de convívio comum que Demétrius agrediu, covardemente, a procuradora-geral Gabriela Monteiro de Barros na segunda-feira, 20. 

"Desprezava as mulheres"

Com apenas outro homem na equipe e cercado de mulheres, Demétrius se mostrava, segundo Thainan, misógino e insubordinado à chefe. "Ele não escondia o descontentamento de ter uma chefe mulher", aponta.

Era, também, uma pessoa introspectiva e evitava colaborar ou interagir com os colegas de trabalho. O distanciamento era tanto que ninguém tinha o número de telefone do procurador. Segundo Thainan, ele faltava e não dava satisfação, não participava de nenhuma confraternização, entrava e saía sem falar com ninguém...

Demétrius Oliveira de Macedo
Demétrius Oliveira de Macedo
Foto: Redes sociais

"Desprezava muito as mulheres que trabalhavam com ele. Eu trabalhava com frio na espinha todos os dias. Para mim, era nítido que ia acabar em tragédia", desabafa Thainan. "Ele fingia que a gente não existia. O clima, sempre que ele estava por lá, era horrível. Eu me sentia trabalhando com uma bomba-relógio armada do meu lado, prestes a explodir, só faltava um motivo".

O receio era tanto que Thainan evitava ficar no mesmo ambiente que Demétrius sem outros colegas de trabalho. Chegou ao ponto de a agente administrativa pegar suas coisas e trabalhar de outro setor no período em que sabia que todos os seus outros colegas estariam ausentes. 

Intimidação e denúncia

Mesmo que sentisse que não tinha razões concretas para denunciá-lo aos seus superiores, situações em que se sentiu intimidada pelo procurador fizeram Thainan tentar se proteger. "Em fevereiro, ele implicou comigo dizendo que eu não estava cumprimentando da forma que ele queria", diz.

A queixa se tornou um tormento ainda maior com o passar dos dias, já que Demétrius insistia no assunto. 

"Eu não queria confrontar, porque era uma pessoa muito esquisita. Mas me senti no dever de registrar alguma coisa contra ele, porque a violência que a gente estava sofrendo era muito velada", relembra. 

Quando Thainan soube das agressões, ficou chocada por seu medo ter se concretizado. "Dói em mim, uma pessoa que gosto tanto ser hostilizada dessa forma. Quando vi o vídeo, me faltou forças, porque senti que poderia ser comigo. Vai caindo a ficha bem aos pouquinhos", desabafa.

Procuradora é agredida por colega de trabalho em SP:

Após as agressões, Demétrius foi ouvido pela Polícia Civil e liberado em seguida, já que o delegado entendeu que não houve flagrante. No entanto, com a repercussão do caso, logo o pedido de prisão preventiva foi expedido e cumprido nesta quinta-feira, 23, em uma clínica psiquiátrica na capital paulista, onde ele se internou.

"Eu não estava andando sozinha na rua, porque estava com muito medo de encontrar ele. Quando soube que ele foi preso me senti aliviada, mas vai ser sempre um trauma que vamos carregar", comenta.

A equipe da Procuradoria de Registro está em home office até que todos se sintam seguros para voltar a trabalhar no local.

*Com edição de Estela Marques.

Fonte: Redação Terra
Publicidade
Publicidade