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Macmania
Resenhas

Macmania 115 - janeiro de 2004

[1984 a 1991] [1992 a 1997] [1998 a 2003]

1992

A ânsia de ganhar mercado a qualquer custo toma proporções dantescas. A Apple lança nada menos que 19 modelos de Macs, entre as linhas LC, Centris, Quadra e PowerBook. Um modelo de Centris dura apenas três meses do lançamento à descontinuação. A Apple é acusada de "estufar" o canal de vendas, contando máquinas entregues para revendas e devolvidas como máquinas vendidas.


1993

  • Em fevereiro, já haviam sido vendidos 10 milhões de Macs.
  • Surgem o Color Classic, o primeiro PowerBook colorido, os Quadras AV (com saída e entrada de áudio e vídeo) e o bizarro Mac TV, um LC 520 pintado de preto com uma placa para sintonizar TV.
  • Em agosto sai o Newton, o primeiro PDA (Personal Digital Assistant) do mundo. Custando quase US$ 1 mil e com reconhecimento de escrita deficiente (que só ficaria satisfatório na terceira geração), o lançamento é um megafracasso, com 25% das unidades vendidas sendo devolvidas.
  • John Sculley, esgotado, cai do posto de CEO. Em seu lugar assume Michael Spindler.
  • A Macmania número 1 chega às bancas em dezembro.


1994

  • Chegam os Power Macs, a maior mudança na plataforma desde a criação do Mac. O chip PowerPC foi desenvolvido pela trinca IBM-Apple-Motorola. Ironicamente, essa transição foi muito mais tranquila que a transição do System 6 para o System 7, graças a um emulador do chip 68K embutido no PowerPC. Resultado: 1 milhão de Power Macs vendidos em um ano!
  • Para cortar custos, a Apple começa a adotar tecnologias padrão no mundo PC, como os discos IDE. É uma grande mudança: a Apple era conhecida como "a empresa que diz NIH" ("Not Invented Here" - Não Inventado Aqui), por desprezar qualquer tecnologia que não houvesse sido desenvolvida em seus laboratórios. O Quadra (ou Performa) 630 foi o primeiro Mac com HD IDE, que hoje é padrão em todos os Macs.
  • Apple lança a QuickTake 100, a primeira câmera fotográfica digital do mundo, co-projetada com a Kodak. Mas não tira vantagem do pioneirismo.
  • A recém-fundada Netscape lança seu browser (baseado no Mosaic, que por sua vez fora criado junto com a World Wide Web num computador NeXT) e dá início à explosão da Internet.


1995

  • Os planos originais da trinca Apple-IBM-Motorola são de transformar o PowerPC numa plataforma aberta (ou semi-aberta) que possa rodar vários sistemas operacionais (incluindo OS/2 e Windows NT) e seja clonada por fabricantes autorizados. Um ano e muita discussão depois, a tal "Plataforma Comum de Referência" (CHRP) ainda está longe de virar realidade, mas a Apple já tem algumas empresas credenciadas para fazerem clones, como a Power Computing e a Radius. O objetivo é ampliar a fatia de mercado da Apple de 10% para 20% ou mais.
  • Mais uma tecnologia Wintel - o barramento PCI - é adotada pela Apple.
  • Sai o Power Mac 9500, o primeiro a usar o chip PowerPC 604 (upgradeável!) e o maior Mac de todos os tempos (até o G5). A Apple estava à frente na corrida dos megahertz: um 8500/132 MHz era quase duas vezes mais rápido que um Pentium 133 MHz.
  • O Windows 95 é lançado, diminuindo ainda mais as diferenças entre PCs e Macs.
  • A Apple aposta na linha Performa e vê sua margem de lucro ser esmagada pela concorrência com os PCs. Entra no vermelho no final do ano e quase é vendida a preço de banana para a Sun, fabricante de workstations Unix.
  • Spindler cai; assume Gil Amelio, famoso na época por ter ressuscitado a National Semiconductor.

1996

  • A Apple cai ladeira abaixo, com um espantoso prejuízo de quase US$ 800 milhões no primeiro trimestre.
  • Em fevereiro, Steve Jobs dá uma entrevista para a revista Wired e declara: "A guerra das plataformas acabou. A Apple perdeu."
  • Precisamente no mesmo momento, a Business Week "mata" a Apple em matéria de capa. Isso é só o começo do massacre que a Apple sofre diariamente na imprensa.
  • Gil Amelio faz uma nova reestruturação da empresa, reduzindo o número de produtos, e cancela o Copland, o sistema "moderno" que viria substituir o velho System 7.5 e não havia saído da prancheta após vários anos e milhões de dólares investidos. Começa a procura pelo sucessor do Mac OS fora da empresa. O principal candidato é o BeOS, criado por Jean-Louis Gassée, ex-engenheiro-chefe da Apple.
  • Em abril, a Apple lança o 20th Anniversary Mac ("Spartacus"), provando que ao menos no campo do design não está morta. Mas o Mac mais vendido no Brasil é um Performa pé-de-boi.
  • Em dezembro, a Apple compra a NeXT e traz Jobs de volta, como consultor. A idéia é continuar desenvolvendo o Mac OS e ao mesmo tempo adaptar o sistema da NeXT (que roda em PCs com processador Intel) à plataforma da Apple. A previsão é de que o novo sistema estaria pronto no final de 1998 (ha ha).


1997

  • Em março, depois de um ano tentando reerguer a Apple sem conseguir tirá-la do vermelho, Amelio passa o facão: demite 2.700 funcionários, acaba com a linha Performa e reduz a verba de pesquisa e desenvolvimento.
  • Em uma articulação de bastidores, Jobs consegue convencer o board (conselho diretor) da Apple de que Amelio não é o homem certo para estar no comando da empresa. O homem certo seria... Steve Jobs.
  • Em julho, já com plenos poderes, Jobs comanda a feira Macworld de Nova York e apresenta em um telão, para espanto e horror dos macmaníacos, Bill Gates para anunciar uma aliança com a arqui-rival. Ele anuncia que a Microsoft adquiriu US$ 150 milhões em ações da Apple (sem direito a voto) e assinou um acordo de partilha de patentes durante cinco anos.
  • Em setembro, Jobs finalmente assume o posto de "CEO interino" (para só tirar o "interino" em 2000). Uma de suas primeiras medidas é acabar com os clones, que em vez de ampliarem o mercado do Mac OS estavam comendo as vendas da Apple. A seguir, lança o Mac OS 8.
  • Em novembro, a Apple inaugura a AppleStore, sua loja online. Também saem o Power Mac G3 e o PowerBook G3. Mais rápido e consumindo menos energia, o chip G3 logo será adotado em todos os Macs.
  • Estréia a impactante campanha publicitária "Think Different", que associa o Mac a gênios, inventores e artistas famosos.
  • No último trimestre do ano, a Apple finalmente sai do vermelho. A Grande Crise passou.

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