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Música
Longe de casa
O músico lança Íntimo, gravado na Holanda, fala sobre música, culpa a política pela violência de que foi vítima e diz que, se pudesse, deixaria o Rio de Janeiro

OS ÚLTIMOS DISCOS de Ivan Lins se chamaram Acariocando e Saudades de Casa. No novo trabalho, Íntimo, uma das faixas, "Rio Sun / A Gente Assim Tão Só", é canção de amor tendo o Rio de Janeiro como cenário. Mas Ivan diz que, se pudesse, não moraria mais na cidade. Na terça-feira 12, ele e a mulher, Valéria, foram assaltados na rodovia Rio-Teresópolis. Tiveram carro, dinheiro e objetos pessoais roubados. Como desabafo, publicou um texto em que fala sobre "políticas de deseducação e humilhação cultural". O músico, autor de "Love Dance", uma das mais gravadas da história, cantado por quase todas as grandes vozes do mundo, com a agenda repleta de shows internacionais, também se ressente por se apresentar pouco em palcos brasileiros. Não é por falta de interesse do público.

Os ingressos para espetáculos nos dias 29 e 30 de outubro e 1º de novembro, em São Paulo, esgotaram mais de uma semana antes dos shows. E ninguém pense que Ivan é um homem amargo. Bem-humorado, empolga-se ao falar do novo trabalho - gravado com convidados como Jane Monheit e Alejandro Sanz, na Holanda - e gosta de contar histórias do início da carreira, como a do dia em que parou o trânsito ao ouvir Ella Fitzgerald cantando "Madalena".

Ivan diz que, além da crise do mercado fonográico, há falta de qualidade na atual produção musical

Há diferença entre o que se lança no Brasil e no Exterior?

Nesse caso, tem, porque há algumas músicas que já gravei quatro vezes, mas que, para o mercado internacional, são inéditas. Se fosse um disco para o Brasil, não teria feito dessa forma. Talvez, mantivesse a orquestra de cordas, mas ia depender da grana, porque é muito caro. Lá (na Holanda), os produtores tinham recursos. Gastaram e não sei se vão recuperar, com o mercado do jeito que está. Vivemos uma época em que é preciso outras formas de se comercializar música, incluindo a de qualidade, mais ou menos como a que eu faço. Evidentemente, isso é para uma plateia mais seleta.

Além da crise do mercado fonográfico, falta qualidade musical?

Existem no YouTube vídeos de uma banda humorística australiana (Axis of Awesome) que toca, com quatro acordes, quase todos os sucessos da música pop no mundo. É de assustar. Mas essa é a verdade.

"O governo Lula é responsável pelo maior jabá do planeta, o Bolsa Família. (...) Isso é a criação de um grande curral eleitoral, coisa que os coronéis já faziam no Nordeste há anos"

Você fez sucesso muito jovem, era um rapaz barbudo e cabeludo fazendo música requintada...

Todos nós copiávamos os cubanos (risos). O Chacrinha não deixou que eu me apresentasse no programa dele porque eu andava com sandálias com sola de pneu. Tive de arrumar um sapato. O Gonzaguinha, idem. Éramos dois esculhambados, contestávamos tudo, até as roupas bonitas. Quando falaram que precisava usar roupas decentes, comecei a me vestir pior, porque virei brega. Andava de calça xadrez e camisa de seda estampada (risos).

E qual o papel da música nessa história?

A minha música sempre foi inquieta. Essa época tem histórias engraçadas. Existia, por exemplo, um mercado negro de acordes. Tive um cunhado que, junto com minha irmã, frequentava a casa do Paulo Jobim, ou seja, do Tom Jobim, e a do Milton Nascimento. Voltavam com os acordes que tinham descoberto, ofereciam. O rádio e a tevê tocavam muita música, a concorrência era grande. Houve um período em que quanto mais complicada a música, mais sucesso fazia. Eu não sabia, mas tinha o dom de ser bom melodista. Entortava meus acordes na harmonia, mas minha melodia era fácil e acho que, por isso, minha música chegou rápido às pessoas. E tive sorte de pegar parceiros que escreviam letras boas.

Como foi que Ella Fitzgerald conheceu "Madalena"?

Quando ela veio ao Brasil, em 71, a música estava estourada na voz da Elis (Regina). Ella quis me conhecer e disse que iria gravar. Pensei que fosse apenas uma gentileza. Um ano depois, estava dirigindo e começou a tocar no rádio. Parei o carro no meio da rua para ouvir. Foi o segundo grande impacto. O primeiro foi a Elis. Foi de perder o fôlego. E comecei a ficar vaidoso, lógico. Depois passou.

Não há mais essa vaidade?

Não, porque descobri que a música dos meus colegas salvava a minha vida, alegrava o meu mundo. Tenho influência de todos eles.

Fotos Divulgação

Tem ressentimento de tocar pouco no Brasil?

Eu me ressinto. Não querem pagar o que meu espetáculo vale. Não me importo de fazer de graça, mas se fizer só a preços baixos, não pago as minhas contas. Meu direito autoral foi embora, não toco mais em rádio, não existem programas de tevê para divulgar o trabalho. Para as pessoas se lembrarem de mim (cantarola "Lembra de mim"), têm de ir por outros caminhos. Tudo sobe de preço, os equipamentos, o aluguel dos teatros, o cachê dos músicos, menos o que pagam pelo show. Não dá para aumentar o ingresso porque as pessoas não têm como pagar. E há o problema da carteira de estudante. Se quer dar metade para o estudante, a outra o Estado paga, ou abate nos impostos. Assim, faria preço de estudante, não isso que cobram. O público pagaria o preço justo. Considero que, quanto melhor a música, mais barato e, quanto pior, mais caro. Um show de dupla sertaneja deveria custar US$ 1 milhão. Se as coisas boas custassem pouco e se pudesse sobreviver delas, a situação cultural estaria em outro nível.

Após ser assaltado, você publicou um texto falando sobre política. Por quê?

Porque não bato na consequência, mas na causa. Não adianta dar paliativo para dor de cabeça, tem de curar a causa. Esse declínio cultural do País é uma grande de cabeça e a causa disso é o nosso Congresso.

Você também disse que essa política tem mais de 30 anos e não deixou de fora nem o governo Lula.

O governo Lula é responsável pelo maior jabá do planeta, o Bolsa Família. Não que eu seja contra dar dinheiro para as pessoas, mas que isso seja feito com acompanhamento, para que elas tenham educação, cultura e saúde. O que o governo fez foi alimentar a vagabundagem, porque muita gente parou de trabalhar. Isso é a criação de um curral eleitoral, coisa que os coronéis faziam no Nordeste. Ele oferece isso para eleger seus sucessores. Ele, não, mas o PT, um saco de gatos comprometido com o que há de pior. Sou um cidadão brasileiro, de 65 anos, moro há 60 no Rio de Janeiro. Vivi três nos Estados Unidos e dois em Niterói. Mais nada.

Você também disse que pretende sair do Rio.

Isso foi dito no momento, mas, se pudesse pegar minha família e colocar na minha arca, sairia do Rio. Não é mais a minha cidade. Agora, é preciso botar no bolso o dinheiro do ladrão, blindar o carro. Isso é comportamento de guerra urbana. E eles conseguiram isso não só no Rio como em São Paulo, Fortaleza, Recife. Quem são eles? Esses medíocres, esses prefeitinhos de nada, esses governadores de meia tigela, ineficientes e corruptos, eleitos pela ignorância brasileira. Vou anular meu voto. Os dois (Dilma Rousseff e José Serra) estão arrastando o mesmo tipo de quadrilha, apertam a mão de todos esses bandidos, sorriem. É por causa do que esse tipo de política provoca que estou agora nas estatísticas. Já fui de dar apoio a algumas pessoas e o resultado foi o mesmo. Eles mentem com uma naturalidade incrível. Não quero mais lidar com eles. Aina Pinto

 

   


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