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Adriana Lisboa
Em seu quinto romance, Azul-Corvo, escritora narra a improvável amizade entre uma adolescente órfã e um ex-guerrilheiro

Por Suzana Uchôa Itiberê

 

Fotos DIVULGAÇÃO

A CARIOCA ADRIANA LISBOA vive há quatro anos no Colorado e em Azul-Corvo (Rocco, 224 págs., R$ 28) toma a própria experiência como imigrante para criar a história de Vanja, garota de 13 anos que perde a mãe e parte para os Estados Unidos em busca do pai. Vencedora do prêmio José Saramago por Sinfonia em Branco, Adriana tem uma prosa poética e fala com sensibilidade sobre o sentimento de inadequação que faz algumas pessoas se sentirem estrangeiras em qualquer lugar.

Como criou Vanja?
Buscava uma personagem que não fosse mais criança e nem um jovem adulto. Vanja está numa fase intermediária, em que começa a desenvolver um olhar mais crítico sobre o mundo. Sua experiência como estrangeira é completamente diferente da minha. Então, as coisas se comunicam em um certo sentido e, em outro, não. O barato da ficção é poder sair de si mesmo e entrar na pele do outro.

Você viveu em diversos cantos do mundo, como França e Japão.
Sempre gostei de me mudar, de viajar, mas não pela experiência turística de ficar pouco tempo num lugar e o conhecer superficialmente. Gosto de me expor um pouco mais a esses ambientes diferentes. Minha mudança para os Estados Unidos foi inesperada, mas muito bem-vinda porque, mais uma vez, me expôs a uma novidade, a uma cultura e um local desconhecidos.

Foi a profissão que a levou?
Foi a coisa mais banal do mundo: o coração. Conheci um brasileiro que morava aqui (no Colorado), a gente queria ficar junto e era mais fácil eu vir para cá. Como escritora, posso estar em qualquer lugar.

Como elaborou os laços familiares da Vanja?
Foi o maior desafio do livro, porque são situações incomuns e com potencial altamente doloroso, e não queria um livro dramático. Nos momentos em que a coisa pode descambar para o drama, a narradora diz: “eu não sou coitadinha e vou levar minha vida adiante”. Foi complicado trabalhar a relação da mãe, que era a única família que Vanja tinha, e como ela segue em frente e constrói a amizade com Fernando, uma amizade improvável pela diferença de idade e pela inexistência de um passado em comum, já que ele não é pai dela.

“Não queria um livro dramático”

O passado de guerrilheiro dele é o foco de tensão na trama. O que a levou a abordar a Guerrilha no Araguaia?
Era um assunto que me instigava desde adolescente, justamente por ser um tema evitado. Na escola, a Guerrilha no Araguaia era tratada en passant. Quando pensei no Fernando como exilado, como alguém que saiu do Brasil tão desgostoso a ponto de nunca mais voltar, a ditadura foi a primeira coisa que me veio à cabeça, e o fato de ser um ex-guerrilheiro me pareceu inédito.

Como o título, Azul-Corvo, sintetiza os temas da obra?
Um dos poemas de Marianne Moore me sugeriu o título. Depois, certas coisas no romance se encaixaram em torno dele. Os corvos são uma marca do lugar e há conchas da cor dos corvos no mar de Copacabana. São dois símbolos que fazem a ponte afetiva de Vanja entre um ponto e outro. Fala-se também dos corvos da ditadura, e o fato de o corvo andar ou não em bando, dependendo da espécie, reflete como os personagens se relacionam. O título faz uma costura sutil do romance.

 

 

   


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