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Música
Legião completa

Por Mauro Ferreira


Caixa, coletânea e reedições em vinil dos oito álbuns oficiais da banda realimentam o culto em torno de obra que resiste bem ao tempo com sua defesa da ética nas esferas pública e privada

CHEGA A SER IRÔNICO que o primeiro álbum da banda Legião Urbana (1982 – 1996) tenha sido lançado em janeiro de 1985 pela gravadora EMI sem a menor repercussão imediata. Vinte e cinco anos depois, o grupo criado por Renato Russo (1960 – 1996) é objeto de culto persistente, mobilizando mais de meio milhão de fãs na rede social Orkut e vendendo cerca de 20 mil discos por mês. É para alimentar esse culto que a EMI Music põe nas lojas este mês reedições inéditas dos oito álbuns oficiais da banda. Os discos poderão ser (re)adquiridos avulsos, no formato de vinil de 180 gramas ou em luxuosa caixa branca que embala os oitos CDs. Para fisgar fãs que já compraram a caixa Por Enquanto – 1984/1995, lançada há 15 anos, as atuais reedições passaram por novo processo de remasterização e foram turbinadas com fotos e textos inéditos. No caso dos vinis, os dois últimos álbuns, A Tempestade (1996) e o já póstumo Uma Outra Estação (1997), até então eram inéditos no formato LP – o que pode atiçar a curiosidade de colecionadores e fãs, que também tiveram a oportunidade de escolher pelo interativo site oficial do grupo (www.legiaourbana.com.br) o repertório da segunda coletânea da banda, cujo lançamento está programado para novembro.

Em qualquer formato, a discografia da Legião Urbana resiste bem ao tempo e permanece como uma das obras mais consistentes do rock brasileiro, hoje enquadrado no asséptico padrão da MTV. Moldada na atmosfera punk de Brasília (DF) no início dos anos 80, quando ainda não se respirava no Brasil o ar da democracia, a banda captou já no primeiro álbum, Legião Urbana (1985), o estado de desolação e abandono no qual estava imersa a angustiada juventude da época. Na sequência, Dois (1986) descarta a virulência punk para formatar um som mais calmo em que a defesa da ética passa da esfera política para a afetiva. Foi nessa trilha mais melódica que – após pausa estratégica para recarregar as baterias, registrar o repertório seminal da banda Aborto Elétrico no álbum Que País É Este? e ganhar tempo para produzir mais inéditas – a Legião pôs Deus no meio da discussão em álbum arrebatador, As Quatro Estações (1988), que realçaria o caráter messiânico que o canto de Renato Russo iria adquirir daquele momento em diante. Mas a pregação de paz, amor e amizade iria adquirir tom melancólico, quase trágico, em V (1991), álbum contemplativo, marcado pela desilusão de Renato com o Plano Collor, que confiscara no ano anterior a poupança dos brasileiros, e pela tristeza de se descobrir contaminado pelo vírus da Aids. Seguiram-se, então, três álbuns menores dentro da discografia da banda. O Descobrimento do Brasil (1993) foi uma tentativa de conciliar a pegada pós-punk do início com a sonoridade mais calma dos últimos discos. Já A Tempestade (1996) e Uma Outra Estação (1997) – gravados na mesma época, mas desmembrados em dois discos lançados com intervalo de um ano – traduziram a irregularidade do repertório do grupo num momento em que a prioridade de Renato Russo era a luta contra a Aids. Com muito mais altos do que baixos, a obra da Legião Urbana continua sendo relevante e está a anos-luz de tudo o que se produziu no rock brasileiro nos anos 2000.O culto ao mais do mesmo tem razão de ser.

Foto: Flavio Colker

 

   


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