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Procuro pensar que Rafael está bem
O músico Raul Mascarenhas fala pela primeira vez sobre a perda do filho, fruto do relacionamento com a atriz Cissa Guimarães. Em um depoimento tocante, ele relembra os últimos 50 dias e conta sobre o desafio de enfrentar sua dor

Jacyara Azevedo

Fabiano Cerchiari/Ag.IstoÉ

"TENTO NÃO CHORAR, mas algumas vezes, eu não aguento. Estou completamente arrasado. Procuro pensar que ele está bem e tento lidar com a minha dor. O difícil é continuar vivendo sem a presença dele." É assim, admitindo um certo conflito, que Raul Mascarenhas, 57 anos, tenta superar a perda do filho Rafael, que tinha 18 anos de idade. "Perdi meu grande amigo... Às vezes, ao acordar, penso que é tudo mentira. A dor não vai passar nunca...", desabafa o músico.
Na madrugada do dia 20 de julho, Rafael foi vítima de um atropelamento enquanto andava de skate no Túnel Acústico, no Rio de Janeiro. No momento do acidente, o pai estava em turnê, na Itália. "Passei por um calvário para conseguir velar meu filho", relembra. Raul recebeu Gente na casa de sua mulher, a fotógrafa Tina Machado, 46 anos, em São Paulo, na segunda-feira 6, um dia antes de retornar à França, onde vive há 12 anos. Durante duas horas, ele falou, com exclusividade, sobre seu sofrimento - e como tenta aceitar a morte do filho.
À equipe de reportagem, o músico fez apenas um pedido: "Gostaria de fazer uma foto com o saxofone do meu filho". Em seguida, ele se levanta do sofá e pega o instrumento, que estava ao lado dele. "Dei este sax no aniversário de 15 anos do Rafael", conta, antes de começar a tocar a música que compôs para o filho. "Agora, tenho tocado só com este. Virou meu xodó", revela. E diz: "Minha vida nunca mais será igual. Terei de aprender a viver sem ele. É uma experiência tão forte, que pode se transformar em algo positivo. Um dia, também quero poder ajudar alguém que passe pela mesma situação".

Como está se sentindo, depois do que passou?
Eu tenho altos e baixos. A tristeza vem de repente. Ainda evito assistir aos vídeos em que estamos tocando juntos, aqui em casa. Fotos eu consigo ver. Minha agonia é querer sonhar com ele. Mas as coisas não funcionam assim. Tenho de ter paciência.

De que maneira buscou conforto?
Recebi muito apoio de amigos e o carinho espontâneo de gente que passou pela mesma situação. Também procurei pessoas com conhecimento no espiritismo, que pudessem me dizer alguma coisa. Embora eu não aceite a ausência física, tenho certeza de que ele está bem. Sofro de saudades ou quando penso no que aconteceu. Fiquei muito tempo imaginando se ele sofreu. Mas a porrada foi tão grande que ele deve ter ficado desacordado... Daqui para frente, eu não sei.

Você estava fora do Brasil quando tudo aconteceu. Em que momento soube do acidente?
Eu tinha recém-chegado à Capri (uma ilha na Itália) para fazer dois shows. Como lá são cinco horas de diferença do Brasil, eu estava dormindo quando recebi o telefonema da Tina dizendo que meu filho havia sido atropelado. (Eram sete e meia da manhã em Capri e duas e meia da madrugada no Rio de Janeiro) Foi a Cissa quem pediu para a Tina me localizar. Senti que era uma coisa séria porque ela me pediu para vir embora. Aí, começou o meu desespero.

O que fez?
Fiquei completamente transtornado. Queria saber o que estava acontecendo. A cada ligação, fui percebendo que era muito grave. A Cissa não conseguia nem falar. O João Velho, filho dela, era quem ia me dando as notícias do hospital. Aí, começaram: "Foi fratura aqui, foi aquilo outro...". No início, ainda pensei: "Pô, ele quebrou o braço e vai ficar sem tocar durante um tempo". Você nem quer imaginar o pior.

Quando decidiu embarcar para o Rio de Janeiro?
Certa hora parecia que o quadro estava mais ou menos estabilizado. Eu cheguei a dar uma respirada (Raul solta um suspiro). Mas não passou muito tempo e a Tina me ligou de novo, sem conseguir falar direito. Ela só repetia: "Vem embora, vem embora, vem embora". Liguei para o João e só ouvi choro. No fundo, eu já sabia. Pedi para Tina me contar o que aconteceu. E ela disse: "Vou repetir o que a Cissa me falou. O Rafael foi embora". Aí, eu despenquei de lá para cá, do jeito que pude. Estava apenas com uma mochila e pouco dinheiro no bolso. Foram cerca de 36 horas de martírio para chegar até o Rio.

 

 

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