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Sem medo das mudanças
Em cartaz com O livro, Eduardo Moscovis prioriza trabalhos autorais no teatro e no cinema em detrimento da estabilidade na televisão

Daniel Schenker Wajnberg

Lidio Pereira
Du Moscovis em cena no monólogo O Livro

O PERSONAGEM DE O Livro descobre que ficará cego. A informação é menos trágica do que ligada a um descortinar de novos horizontes. Seu intérprete, Eduardo Moscovis, também passou por transições importantes. Ingressou por acaso na carreira de ator e abandonou o curso de administração de empresas. Anos depois, estabelecido na profissão, decidiu priorizar trabalhos autorais no teatro e no cinema em detrimento da segurança oferecida na televisão. A atitude corajosa está rendendo frutos. Além desse monólogo realizado a partir de texto de Newton Moreno e sob a direção de Christiane Jatahy (que o conduziu na elogiada encenação de Corte Seco), Moscovis poderá ser visto em filmes da nova safra – o recém-lançado Cabeça a Prêmio, de Marco Ricca, no qual interpreta um matador atormentado por dilemas de consciência, 180º, de Eduardo Vaisman, exibido no Festival de Gramado, Corações sujos, de Vicente Amorim, e Amor?, de João Jardim.

Como surgiu o projeto de O Livro?
Eu estava fazendo a última temporada de Por Uma Vida Um Pouco Menos Ordinária, em São Paulo. Como as sessões eram às sextas e aos sábados, à meia-noite, no Espaço dos Parlapatões, passei a ter a oportunidade de entrar em contato com o teatro da cidade. Foi assim que conheci a sede dos Fofos Encenam, o grupo de Newton Moreno. Estive lá, conversei com as pessoas e, um tempo depois, recebi o texto para ler.

Já seu primeiro contato com Christiane Jatahy se deu através da participação em vídeo na montagem de André, não?
Sim. Depois de André ela me chamou para participar da leitura de O Assalto, peça de José Vicente. Comecei a assistir a seus espetáculos e gostei muito de Leitor por Horas e A Falta Que Nos Move... ou Todas as Histórias São Ficção. Quando surgiu o projeto de O Livro, eu e Newton pensamos em Christiane para a direção. Fiz o convite. Ela aceitou, mas disse que tinha o projeto de Corte Seco na frente. Um pouco depois, perguntou se eu não gostaria de integrar o elenco de Corte Seco.

A morte costuma surgir, de maneiras diversas, como personagem determinante nos textos de Newton Moreno. Ocorre o mesmo em O Livro?
Acho que sim. Mas morte no sentido de passagem, como propõe Newton ao falar sobre um personagem que recebe a notícia de que ficará cego à medida que avançar na leitura de um livro. A cegueira traz à tona um novo entendimento da vida e um afloramento dos outros sentidos – inclusive, o espiritual.

Você realizou transições importantes, a primeira ao trocar o curso de administração pela carreira de ator e a segunda ao abrir mão da estabilidade na televisão em prol do teatro. Foram mudanças planejadas?
A primeira, não; a segunda, sim. Comecei a fazer teatro por acaso. Fui assistir a uma aula de Carlos Wilson e ele estava dando partida ao processo de montagem de Os 12 Trabalhos de Hércules. Ele me levou até o Tablado. Um pouco depois fui chamado para a Oficina de Atores da Globo e daí em diante passei a participar de novelas. Conseguia conciliar teatro e televisão e a Globo se mostrava generosa nesse sentido, ainda que eu sempre cumprisse os horários. Mas era bem cansativo. Quis adquirir um domínio maior sobre o meu tempo e poder me dedicar a projetos como Corte Seco, que exigiu cinco meses de ensaio.

Como foi participar de Corte Seco?
Uma vez, eu brinquei com a Christiane dizendo: “chamei você para me dirigir num monólogo com texto de dez páginas e estamos no terceiro mês de ensaio, ainda sem texto”. Mas estou bem feliz por estar realizando esses trabalhos. Agora, vou poder fazer as duas montagens ao mesmo tempo.

Participar de um filme como Cabeça a Prêmio faz parte desse momento de valorização de projetos autorais?
Sim. Lembro que eu e Marco Ricca conversamos sobre Cabeça a Prêmio logo depois de Alma Gêmea, a última novela que fiz. Já tinha lido o livro do Marçal (Aquino) e Marco me ajudou na construção do Brito, um personagem distante de mim. Na verdade, via-o muito como o ator perfeito para interpretá-lo. Fizemos um trabalho próximo do teatro, de composição de personagens e desenho de núcleos.

Fale sobre suas participações em 180º, Corações Sujos e Amor?
180º é um filme pequeno, de três atores. Quando entrei no projeto, só quem estava confirmada era Malu Galli, uma atriz cujo trabalho eu acompanho e adoro. Com Eduardo Vaisman (diretor), realizamos um trabalho próximo ao teatro. E acabei contracenando com Felipe (Abib) em Corte Seco. Já em relação a Corações Sujos, Vicente Amorim trouxe um ótimo elenco japonês, no que se refere à concentração e disposição para pesquisa. E Amor?, de João Jardim, foi uma experiência um pouco assustadora porque ficamos encarregados de nos apropriar de depoimentos de pessoas que existem.

Espaço Sesc (Sala Multiuso) – r. Domingos Ferreira, 160, Rio de Janeiro, tel. (21) 2548-1088. Até 5/9.

Errata
Ao contrário do que foi publicado na edição 571, o personagem do ator Rafael Sieg na peça O Matador de Santas é o namorado da queridinha, personagem da Izabella Bicalho, e não o vizinho. A data correta de encerramento da temporada é 10/10.

 

   


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