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A noite em que alguns rapazes mudaram a música
Uma Noite em 67 usa o III Festival da Canção para mostrar o surgimento da Tropicália e traz boas entrevistas com os principais personagens daquele acontecimento

Aina Pinto

 

Fotos WILSON SANTOS/CPDCO JB
Caetano Veloso

 

Fotos WILSON SANTOS/CPDCO JB

★★★ DOCUMENTÁRIO

UMA NOITE, UM GRUPO de pessoas se organizou para vaiar Roberto Carlos. Uma noite, Gilberto Gil teve medo de se apresentar. Uma noite, inventou-se um movimento. Uma noite, isso tudo aconteceu no III Festival da Record, agora tema do documentário Uma Noite em 67, dirigido por Renato Terra e Ricardo Calil.

O filme mostra a apresentação de seis canções – as cinco primeiras colocadas e “Beto Bom de Bola” (de Sergio Ricardo, que nessa noite atirou o violão na plateia). Nas entrevistas feitas à época, o clima é de informalidade e amadorismo. Em uma dessas, Roberto Carlos aparece para contar uma piada; em outra, Randall Juliano apresenta Chico Buarque com “um dos rapazes que deram uma grande contribuição para a música”.

O período político está presente apenas em menções dos entrevistados e nas músicas (no caso, “Ponteio”, a ganhadora, interpretada por Edu Lobo e Marília Medalha, e “Roda Viva”, por Chico e MPB-4). E isso faz bem ao filme: ao deixar claro que se estava sob ditadura militar, mas sem fazer do assunto o centro das atenções, o documentário se exime do didatismo de uma informação de conhecimento obrigatório e coloca o foco nas mudanças comportamentais e culturais.

As entrevistas atuais entram costurando cenas de arquivo. Roberto Carlos conta que nunca soube que havia uma vaia organizada. Caetano Veloso fala do surgimento da Tropicália. Chico conta que ia às reuniões, mas nem se lembra do que se passava nelas (e faz gesto de quem bebia muito) e que se sentiu só quando, aos 23 anos, passou a ser chamado de velho, enquanto os tropicalistas representavam a cultura jovem. Gil diz que “o Tropicalismo foi uma fase agônica da minha vida musical”. Edu conta do sentimento de ser como um cavalo de corrida em que pessoas faziam apostas. E se o saudosismo pode mover o público, não é esse o sentimento dos músicos. Caetano diz que só sente falta da juventude física. Chico diz que se vê em fotos antigas e apenas pensa: “que bonitinho”.

O filme é excessivamente tradicional em seu formato, mas tem o mérito de não se posicionar na polarização do passado, de trazer boas entrevistas, de incluir pequenas coisas – como a piadinha de Roberto ou um comentário sobre cílios postiços – que revelam muito do período e das pessoas.
(Livre)

 



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