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Livros
Uma questão de paixão ou de política?

Suzana Uchôa Itiberê

Fotos: Divulgação
Kadaré icou conhecido no Brasil por Abril Despedaçado, adaptado para o cinema por Walter Salles



Em O Acidente, Ismail Kadaré aborda um tema incomum em sua obra: o amor

Fotos: Divulgação


O ESCRITOR ALBANÊS Ismail Kadaré é tão perfeccionista que costuma retocar seus livros para novas edições. Não à toa, é figura constante na lista de favoritos ao Nobel de Literatura – uma das poucas honrarias que ainda não recebeu. Mais conhecido por aqui desde que o cineasta Walter Salles adaptou Abril Despedaçado, Kadaré tem uma prosa poética banhada por elementos históricos que absorvem a alma conflituosa do povo de seu país. A Albânia mal sobreviveu à ditadura comunista do pós-guerra para, na década de 90, se envolver em novo confronto nos Bálcãs. Um clima de tristeza domina a narrativa de O Acidente (Cia. das Letras, 232 págs., R$ 47), um romance noir que começa com morte. Um táxi sai da estrada e cai no barranco. Os dois passageiros, um casal de albaneses, morrem na hora. O motorista admite: perdeu o controle ao ver, pelo retrovisor, a tentativa de um beijo. A identidade do morto, Bessfort, revela alguém metido em questões políticas e a possibilidade de o acidente ocultar um assassinato insere um investigador como fio condutor da trama de mistério. Kadaré faz uso da teoria conspiratória para se debruçar sobre um enigma ainda maior: o amor.

A partir de testemunhas, de cartas e de um diário, o agente tece a teia da relação entre Bessfort e Rovena. É louvável a sagacidade com que o escritor entrelaça os fatos políticos e amorosos. A convivência doentia entre esses dois seres, imersos em um estranho jogo de dominação, nada mais é que o reflexo da opressão que aflige aquele território. Tem se aqui uma leitura de duplo alcance. Para os fãs do universo noir, com direito a femme fatale, e para quem já apreciava os delicados painéis sociais, indispensáveis na obra de Kadaré.

 

 



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