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Teatro
"Já senti a presença de Clarice"
Beth Goulart abre seu camarim antes da apresentação de Simplesmente Eu, Clarice Lispector e mostra seu ritual de preparação

Fotos Pedro Dias / Ag. istoé

CLARICE LISPECTOR CERTA VEZ contou que não era ela quem escolhia suas histórias e personagens. Como nos momentos de epifania celebrados em suas obras, a escritora dizia ser tomada de assalto pela inspiração - ou, na definição dela, por um encontro profundo e difícil consigo mesma. Quando Beth Goulart resolveu escrever a peça Simplesmente Eu, Clarice Lispector, em cartaz em São Paulo, a atriz provou desse momento de que falava a escritora. Ela estava envolvida anteriormente com outro projeto, um roteiro de cinema sobre a heroína baiana Maria Quitéria, quando a inspiração falou mais alto, sugerindo um espetáculo que reunisse textos de Clarice e Fernando Sabino. A família do escritor não liberou os direitos autorais. E a inspiração gritou. "Fui escolhida. Sou intuitiva, respeito os sinais", concluiu a atriz. Foi assim, refém de sua inquietação, que ela escreveu, dirigiu e emprestou-se para reviver algumas das facetas da escritora no monólogo, que levou mais de dois anos para ficar pronto.

A dedicação a pesquisas, leituras e releituras de livros e entrevistas, resultou em um espetáculo muitíssimo bem-sucedido. Em abril deste ano, a atriz chegou a fazer apresentações no Rio e em São Paulo. A temporada paulistana, desde o início, já estava com ingressos esgotados até o último dia de apresentação (no domingo 20). E a passagem pelo Festival de Curitiba, em março, rendeu não apenas aplausos e elogios, como também um outro encontro. Beth conta ter sentido fortemente a presença de Clarice. "Não sinto que fale com ela, mas já senti sua presença. É uma emoção diferente", conta a atriz, devota do espiritismo.

O que não se pode creditar unicamente à fé é o fato de Beth ter ficado não apenas impressionantemente parecida com a escritora, como também ter conseguido dar seu toque pessoal a uma personagem intrigante e fascinante. Esse trabalho de atuação rendeu a Beth o prêmio Shell, numa categoria disputada e bem representada: ela concorria com Fernanda Montenegro e Marília Pêra. Com o sucesso da peça, que tem suas temporadas estendidas por onde passa - em São Paulo, voltará em agosto, no Teatro Eva Herz, no Conjunto Nacional - Beth segue repetindo seu ritual de transformação, que contou com a ajuda da preparadora corporal Rose Gonçalves e da preparadora vocal Márcia Rubin. "Clarice nasceu na Ucrânia, mas dizia ser brasileira. Falava daquele jeito porque era uma mistura do sotaque de Pernambuco (onde a escritora viveu) com a língua presa", explica Beth, que a cada apresentação chega ao teatro três horas antes.

Depois do aquecimento, que leva uma hora, ela segue para o camarim para encontrar outras personagens. "Essa é a fase Dona Florinda", diverte-se, referindo-se ao cabelo preso com bobes e à personagem do seriado Chaves. Depois do secador e com o cabelo já solto, nova brincadeira: "Agora, é a fase Shirley Temple." Depois, pente e laquê para dar o volume típico do penteado dos anos 60. A maquiagem é a atriz quem faz. "Afino o nariz e ressalto as maçãs do rosto. Não faço a sobrancelha dela porque não daria para interpretar outras personagens", explica. No palco, são cinco looks diferentes. "Uma coisa é parecer exatamente igual. Outra é se conectar à energia da pessoa. É claro que tenho elementos faciais que lembram o rosto dela, mas sem essa energia, seria apenas uma caricatura", considera. Bruno Deminco

Fotos Pedro Dias / Ag. istoé
A atriz, durante a transformação: ''Uma coisa é parecer exatamente igual. Outra é se conectar à energia da pessoa. Sem isso, seria apenas uma caricatura"

 



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