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Estilo Casa
Naturalmente chique
O apartamento do paisagista Gilberto Elkis, em São Paulo, é resultado da charmosa alquimia entre os elementos do campo e a modernidade das metrópoles

Silviane Neno Fotos Marcelo Navarro/Ag. IstoÉ

A bicicleta vintage foi comprada de um colecionador. O tapete foi presente de uma cliente.Gilberto brinca de Dono do mundo em frente à coleção de colares da tribo Masai, da Tanzânia. Os sofás e almofadas têm tecido RenauxView, por Sig Bergamin. O aparador é uma antiga mesa de marceneiro da Jacaré do Brasil

FOI POR MUITO POUCO. Depois de uma temporada de um mês de férias esquiando em Aspen, nos Estados Unidos, o paisagista Gilberto Elkis voltou para casa e encontrou seu jardim agonizando. Ficou inconsolável. Ok, são pouco mais de meia dúzia de vasos na varanda do apartamento, mas para ele, é natural, o fato ganhou dimensões de tragédia. Nada que o carinho das mãos do dono e o talento de um especialista não conseguissem reverter. No fim da tarde de uma quarta-feira, alguns dias depois do desastre anunciado, os pés de lavanda, manjericão, sálvia, pimenta e alecrim nem pareciam ter sofrido aqueles dias à míngua. Gilberto Elkis é uma dessas figuras extremamente sofisticadas na sua simplicidade. Um de seus princípios básicos é que as plantas precisam principalmente ser regadas, mas também são capazes de entender quem faz isso por amor.

Dito isso, vamos à casa: o apartamento de 200 metros quadrados onde mora um dos principais nomes do paisagismo brasileiro, fica numa rua simpática da Vila Madalena, bairro moderninho cult, de São Paulo. Da varanda, Gilberto tem um belo panorama da cidade e enxerga também o telhado de seu escritório, bem pertinho dali, e para onde ele vai a pé todos os dias.

Quando decidiu mudar para a Vila, depois do término do seu casamento, há cinco anos, Gilberto chamou a amiga e arquiteta Cris Bozian para dar uma força no projeto. Disse a ela que queria algo essencialmente natural, com muita madeira, quase orgânico, mas ao mesmo tempo urbano. E foi Cristina quem definiu: "É um natural chique." E assim foi.

A cozinha aberta para a sala de jantar permite longas conversas enquanto o dono da casa cozinha. Ao lado, o detalhe dos bancos com selins de bicicleta trazidos da Itália
No banheiro da suíte principal, o charme da madeira de demolição no piso e nas paredes. A foto mostra um belo flagrante da ex-modelo Rose de Primo, na praia do Rio, nos anos 70. No quarto, destaque para a luminária de canto criada por Gilberto

As três suítes foram reduzidas a duas e a principal ganhou um closet. A cozinha foi aberta para uma das salas e o espaço cresceu. A presença da madeira é vista principalmente no piso inteiro de material de demolição, inclusive nos banheiros, ponto alto do projeto. Gilberto adora os longos banhos na banheira vitoriana, olhando parte da cidade pela janela.

Depois de um ano de reforma, a etapa do décor foi feita a seis mãos. As dele, as de Cris e as do designer de interiores Augusto Perez. Nada fugiu do jeito e do bom gosto do dono da casa. É dele, por exemplo, a ideia de transformar selins de bicicleta em assentos dos bancos da bancada da cozinha. As peças foram compradas em uma lojinha de peças de ciclismo em Milão, na Itália, e aqui Gilberto encomendou os pés de ferro cromados, a partir da ideia da peça de apoio para os pés que ele viu na manicure. Uma graça! Além do detalhe dos bancos, uma bicicleta (inteira) vintage, despretensiosamente estacionada num canto da sala, enche de bossa o ambiente.

Globetrotter profissional, Gilberto coleciona objetos que vai garimpando nas muitas andanças pelo mundo. É assim também que ele recicla a criatividade e o arrojo traduzidos em projetos audaciosos como a piscina do hotel Unique, um dos seus trabalhos mais elogiados. Uma das manias também é comprar tecidos. Num armário no quarto da filha, ele guarda mais de 60 peças de países como o Nepal e o Cazaquistão.

Os tecidos só saem dali por bons motivos, como compor a mesa de um jantar especial. Sim, ele gosta de cozinhar. E reza a lenda que manda muito bem nas caçarolas. A cozinha é um dos lugares mais frequentados da casa pelos amigos e pelos pinguins, outra coleção na categoria "brincando com o kitsch."

Há também a de chapéus e capacetes de moto. Tudo disposto em cantos, em bonitas composições muito distantes do fake. Gilberto se diz um observador compulsivo, desses que não deixa escapar nada. E graças a esse olhar esteta, hoje ele se dá ao luxo de dizer que "conquistou um mercado que aceita o bonito." Talvez tenham sido essa audácia e precisão que chamaram a atenção de clientes nos Estados Unidos, Suíça e Bélgica, onde ele já plantou sua marca. Gilberto Elkis é um jardineiro fiel à perfeição.

 



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