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"Hebe tem boa genética"
O oncologista SÉRGIO SIMON explica a doença, lembra sua experiência ao tratar da mulher de Roberto Carlos e diz que há boas chances de cura para a rainha da televisão

Ana Carolina Soares
Fotos Marcelo Navarro/ Ag. IstoÉ


"Hebe comentou que se não avisassem que aquilo era quimioterapia, ela acreditaria que era um soro. É bem possível que ela não sinta nada em nenhuma sessão", diz o médico

Um jardim repleto de árvores nativas cerca o consultório do médico Sérgio Simon, no Jardim Europa, bairro nobre paulistano. O lugar é decorado por uma coleção de vidros de remédio e um quadro colorido do artista plástico Gustavo Rosa, feito especialmente para ele. A obra em cores vivas em contraste com as embalagens parece um retrato de como Simon encara sua profissão. "A doença faz parte da vida e é preciso encarar esse fato", diz. Neste ano, ele completa 30 anos atuando como oncologista. É um dos proprietários do Centro Paulista de Oncologia, atua no Hospital Israelita Albert Einstein e é professor da Escola Paulista de Medicina. Um dos médicos mais renomados da área no País, é normal que Simon seja procurado por celebridades. Por exemplo, tratou do câncer de Maria Rita, mulher de Roberto Carlos, em 1999. No início do ano, foi procurado por Hebe Camargo para cuidar de um câncer primário de peritônio. "Ela não reclama, tem boa genética e bom humor. É uma ótima paciente", diz. Por conta disso, há chances de cura. A seguir, ele conversa sobre o caso de Hebe, da mulher de Roberto Carlos e explica a doença.

Como médico de Hebe, como o sr. tem observado a comoção em torno da doença?
Ela pediu que a gente não escondesse o câncer. Achei admirável. À medida que as pessoas põem em público esse fato, a doença perde um pouco a aura de terror e ajuda muita gente. Dá força para outros pacientes. E ela também está muito contente com o carinho das pessoas. Logo nos primeiros dias, ligaram Julio Iglesias, Dilma Roussef, Roberto Carlos, entre muitos outros. Todos os dias, Ivete Sangalo deixava um recado dizendo: "oi, estou mandando o beijinho do sábado, amanhã ligo novamente para mandar o beijinho do domingo". Eu, por exemplo, em um só dia, entre 13h e 19h, recebi 51 ligações, todas querendo saber sobre o estado de saúde dela.

O que é o câncer no peritônio?
É um tipo semelhante ao câncer de ovário e atinge predominantemente as mulheres. É também uma doença rara e, por ano, afeta menos de cinco mulheres em um grupo de 100 mil. Peritônio é a membrana que cobre todo o abdome, por isso, não se fala em metástase dessa doença. O caso de Hebe, por exemplo. Ela tem um câncer primário de peritônio. Fala-se primário porque foi onde começou o tumor. Os órgãos abdominais, como estômago, foram atingidos, mas apenas superficialmente, na membrana e, por isso, não tiveram as funções comprometidas. E também é um tipo muito difícil de ser descoberto em estágio inicial.

Como está a rotina de Hebe em casa?
Durante o tratamento (que deverá seguir nos próximos cinco meses), eu ou o cardiologista dela vamos visitá-la em casa, um procedimento de rotina. Ela irá ao hospital a cada 21 dias para a quimioterapia. Hebe está se alimentando bem, dormindo bem e se divertindo com os animais. Ela tem um periquito e um pássaro vermelho que namoram. Os dois se buscam na gaiola e voam pela casa juntos, cutucando o pescoço um do outro. É curioso.

Hebe tem reagido bem ao tratamento. A que se deve isso?
A genética é um fator primordial. Hebe bebe bem, não segue dieta, gosta da noite, chega em casa às 4h da manhã, não faz exercícios. Mas tem boa genética e, por isso, é muito saudável: os rins funcionam muito bem, pulmões, coração e fígado também. Ela nunca ficou doente e só entrou em hospitais para fazer poucas plásticas.

"Reencontrei Roberto (Carlos) quatro anos após a morte de Maria Rita. Ele disse que entendeu o que é milagre e que não era justo esperar milagre para Maria Rita"

Quimioterapia normalmente é um tratamento que traz muitos efeitos colaterais. Hebe não sentiu nenhum nessa primeira sessão. Será sempre assim?
É bem possível que ela não sinta nada em nenhuma sessão. É possivel que não sinta a quimioterapia. Por causa da boa função orgânica, fizemos nela uma dose normal de quimioterapia, mais forte do que a que costumamos aplicar em pessoas na idade dela. Hebe não sentiu nada. Comentou que se não avisassem que era quimioterapia, acreditaria que era um soro.

A cura é certa? A porcentagem de cura em casos como o dela é em torno de 60%. Por todo o quadro e pelo organismo de Hebe, a gente espera que ela esteja nessa porcentagem.

Desses casos públicos, o senhor também tratou de Maria Rita, mulher de Roberto Carlos (que faleceu em dezembro de 1999 de carcinoma neuroendócrino na região pélvica). Como foi essa experiência?
Muito difícil. Depois da primeira série do tratamento, os sintomas da doença desapareceram (em agosto de 1999). Chamamos isso de remissão, não cura, porque o câncer pode voltar após um período. Mas Roberto estava convencido de que era um milagre de Nossa Senhora. Hebe até fez uma missa na Igreja Nossa Senhora do Brasil, em São Paulo, em ação de graças. Mas a doença voltou agressiva (em outubro). Até o último minuto, ele acreditava que Maria Rita seria curada. Reencontrei Roberto em um show, uns quatro anos após a morte dela. Ele então comentou comigo: "Agora entendi o que é milagre. É outra coisa. Não era justo esperar um milagre para Maria Rita". Não entendi muito bem o que ele quis dizer. Mas senti que evoluiu muito nesses últimos anos. As pessoas, normalmente, olham para a vida sem esperar a morte.

O que é a vida para o sr.?
Não acredito em Deus, mas deve haver um sentido para tudo isso. Nós, médicos, temos a percepção da fragilidade da vida. Normalmente, as pessoas se esquecem de um pequeno detalhe: a doença faz parte da vida.



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