- Anuncie
- Assine

 
 
 
Reportagens // Home
 
- Edição Atual
- Anteriores
 
- Imagens
- Frases
- Urgente
- Moda
- Estilo
- Fernanda Barbosa
- Paulo Borges
- Agito
- Aconteceu
- Celebridade
- Reportagens
 
- Cinema
- Música
- Livros
- Teatro
- Gastronomia
- Televisão
 

Atualize-se com a
IstoÉ Gente!




- Fale Conosco
- Expediente
- Anuncie
- Assine
- Loja 3
 

 


Perfil
Laços de família
Neto do cineasta Luis Buñuel, Diego vem ao Brasil para fazer reportagens para o Zonas de Guerra e fala do relacionamento com o avô

Aina Pinto fotos Cleiby Trevisan/ Ag. IstoÉ

Diego conviveu com o avô cineasta até os 8 anos

Diego Buñuel vê as fotos para as quais acaba de posar e pede para que algumas delas sejam enviadas para seu e-mail. O pedido não é estranho, mas o motivo, sim: ele quer mostrá-las para a mãe. "É para ela saber por onde ando", diz o jornalista de 34 anos que esteve em São Paulo para fazer reportagens para seu programa no NatGeo. No Brasil, o nome da atração é Zonas de Guerra, mas, no original, é Don't Tell My Mother (Não Conte para Minha Mãe), numa brincadeira sobre os lugares perigosos para onde Diego vai, como Paquistão, Iraque e Afeganistão.

"Enquanto eu era correspondente de guerra, minha mãe ficava preocupada. Ela é diretora de cinema e, por trabalhar com ficção, ficava criando imagens de como eu morreria, como eu seria sequestrado. Hoje, o que tento fazer é mostrar a ela que o mundo que ela imaginava não é tão assustador", conta. Mas foi por causa de outra pessoa da família, o avô, o cineasta espanhol Luis Buñuel, que Diego, nascido na França, resolveu sair por aí para encontrar seu próprio lugar.

"Minhas opções eram simples: fazer cinema e produzir algo tão bom quanto ele - o que seria muito difícil, porque ele é reconhecido como gênio - ou traçar meu próprio caminho. Escolhi ser primeiro Diego, antes de ser Buñuel. Saí da França, onde ele é muito reverenciado, e fui estudar nos Estados Unidos, onde ninguém sabe quem é Buñuel", ri. "Lá, era assim: Diego? Latino? Vá lavar pratos."

Diego conviveu com o avô, diretor de obras-primas como A Bela da Tarde (1967) e O Discreto Charme da Burguesia (1972), até os oito anos. Buñuel vivia no México e era para lá que ia a família nas férias de verão e nos natais. "Ele era conservador, tinha horário certo para tudo. O jantar tinha de ser sempre às 20h", conta. "Meu avô era um artista no sentido mais tradicional, aquele que trabalha muito, que passa anos com uma ideia até transformá-la em arte."

No caminho que escolheu para si, Diego ganhou prêmios como correspondente e, atualmente, mostra curiosidades dos lugares que visita, como um time feminino de natação no Paquistão ou uma banda de metal no Iraque. Em São Paulo, ele retrataria a rotina dos pichadores, o mercado dos carros blindados, o crescimento do número de evangélicos. "Tento ir contra os estereótipos. Fora daqui, pensam que o Brasil é o Rio de Janeiro, biquíni, samba, favela e Amazônia. São Paulo não existe", diz.

Nova geração

Depois de dez dias em São Paulo, Diego voltaria para a França. Ao falar da família que iria rever, saca o celular para mostrar a foto de uma bebê com traços orientais. É Dae, de dois meses, e cujo nome significa algo como "grandeza". "É um nome coreano por causa da origem da mãe dela", explica.

"Não parei de ir a lugares perigosos porque me tornei pai. Isso é meu trabalho, minha paixão, minha responsabilidade com minha filha, de mostrar o mundo a que ela foi trazida e que não é o que vemos na CNN, na BBC. É mais do que só guerra." A mulher dele não reclama que ele passe, em média, seis meses longe de casa. "Ela tem uma banda de rock, tem o próprio trabalho, conhece outros lugares do mundo. A gente se entende."

 



Copyright © 2009 - Editora Três Ltda. - Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.
ContentStuff Media Solutions | Gestão de Conteúdo | CMS