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Dama de ferro
Homenageada do Prêmio Moda Brasil 2009, Regina Guerreiro fala sobre a criação de um dos maiores mitos da moda brasileira: ela mesma

Eu me lembro como se fosse hoje. Estava há quase um mês trabalhando na Vogue Brasil, e, mesmo assim, nunca tinha conhecido minha chefe pessoalmente. Só ouvia aquilo que os outros diziam. "Coitado de você, não vai durar seis meses na mão dela".

Quem era essa mulher que mexia tanto com as pessoas? Por que tantas versões - e todas assustadoras - da mesma personagem? Como uma única pessoa poderia exercer tanto fascínio? Em menos de um mês, ela havia se tornado o maior personagem de moda pra mim. Inicialmente, quando procurei um emprego na Vogue, na década de 80, eu estava atrás da sofisticação e beleza que imaginava ser o universo Vogue.

Mas depois do primeiro mês eu só queria conhecer de verdade essa mulher. Três décadas se passaram e, na quarta-feira 28, Regina Guerreiro foi a principal homenageada da segunda edição do Prêmio Moda Brasil.

Trinta anos depois, eu vejo como seus punhos de ferro ajudaram a conduzir a moda até onde ela está. Para mim, foi uma experiência incrível. Nunca me esqueci de nada que aprendi, nunca desisti dos meus sonhos, e isso, aprendi ao seu lado.

PB Como tudo começou?
RG
Eu comecei como secretária da editora Abril, em 1964. Foi lá que conheci o Luis Carta. Na época ele havia criado a revista Claudia. A gente tinha muita afinidade, e logo o Luis me convidou para assinar uma coluna na revista Manequim, que era mais voltada ao público jovem. Não demorou e eu assumi o comando da Claudia, Manequim, Ilusão e Contigo. Eram mais de 90 páginas de moda por mês.

À esquerda, Regina Guerreiro usa turbante criado por Gal, em retrato de Bob Wolfenson. Essa foto foi impressa com sete metros de altura e esteve na entrada da Bienal durante uma edição do SPFW. Acima, a editora de moda, de cabelos bem curtos, em 1993: personalidade forte que deixou impressa em todas as revistas pelas quais passou

PB Então, seu começo na moda foi por cima?
RG
Que nada! Me lembro da primeira vez que entrei num estúdio e me pediram pra amarrar o sapato de uma modelo. Imagina, era universitária, sabia falar francês e inglês - era filha única! Mas daí a coisa evoluiu naturalmente, porque eu me apaixonei pela moda. Percebi que era possível traduzir numa imagem aquilo que antes eu só sabia transcrever em palavras. É fascinante ter uma mulher na sua frente e poder criar o que você quiser com ela. Você começa a misturar as cores, as texturas... é como se eu pintasse uma obra-de-arte a cada editorial de moda que dirigia.

PB E quando você entrou na Vogue?
RG
A direção da Abril veio com uma proposta em determinado momento, queriam que eu largasse o cargo de editora de moda da Claudia para assumir a Setenta, uma nova revista feminina na qual eles apostavam todas as fichas. Eu recusei. Duas semanas depois, fui demitida. A desculpa que me deram? Disseram que eu era muito sofisticada e que a Claudia e a Manequim eram revistas populares. Entrei em depressão e fui me exilar em Nova York, para colocar a cabeça no lugar. Depois de algumas idas e vindas, o Luis Carta - que a essa altura já havia saído da Abril - me convidou pra assinar uma seção na recém-fundada Vogue Brasil.

PB Como se criou o mito de Regina Guerreiro na Vogue?
RG
Eu era muito competente. Sempre fiz a associação de que o sucesso profissional é a melhor forma de ser reconhecida pela sociedade. Que imbecil, né? Mas eu pensava assim. Na época, eu lembro que teve um projeto em especial que foi o pulo do gato. Eu me lembrei do "Livro de Ouro" do meu colégio de freiras. Era um caderno que só os alunos que doavam alguma quantia em dinheiro assinavam.

Levei a proposta de fazermos a Vogue de Ouro, um caderno especial apresentando joias, roupas e até carros - tudo dourado. Vendi horrores! Você não tem ideia de quanto a Vogue vendeu por causa desse meu projeto... vendemos até para a Dior de Paris! Foi aí que o Luis Carta deixou de me admirar e passou a me amar! Então, virei editora da revista. Depois de quase 14 anos no comando, teve um dia que o Luis esmurrou a mesa de reunião e gritou: "Essa revista se chama Vogue e não Regina Guerreiro". Ficou claro para todos que a minha personalidade havia tomado conta da publicação.

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