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Paulo Borges
"Sou credor e eles inadimplentes"
Fause Haten conta como vendeu a marca para o grupo I'M e ficou sem receber, desfila na SPFW com outro nome e demite-se da holding

Paulo Borges

DIVULGAÇÃO

A TOALHA DE RENDA e a louça branca eram impecáveis. Sucos, frutas e bolos tornaram o café-da-manhã na casa do meu anfitrião Fause Haten, em São Paulo, ainda mais agradável. Cinco meses depois de ter vendido a sua marca para o grupo I'm, sem receber o valor combinado, Fause abre espaço e fala pela primeira vez sobre o turbilhão em que se transformou a sua vida. Com alma de guerreiro, como a maioria dos estilistas, ele arregaçou as mangas e construiu uma coleção para apresentar na São Paulo Fashion Week com o nome de FH, na quarta-feira, às 19 horas. Em seguida, ele se demite do cargo de diretor criativo da marca Fause Haten, hoje de propriedade da holding.

Todos ficaram surpresos com tudo! Todos torciam para que tudo desse certo. Todos, sem exceção, naquele momento - em que foi divulgada a venda das marcas e a constituição do grupo I'M - nem sequer imaginavam o que rolaria no dia seguinte. E aí?
Eu fui muito resistente a esta euforia toda. Eu nunca gostei de ficar anunciando coisas que não tinham acontecido. Fiquei surpreso com o ser humano, pois da mesma maneira que as pessoas apareceram, de forma espetacular e eufórica, elas desapareceram.

Você se refere às pessoas que estavam envolvidas no projeto?
Sim. Acionistas e diretores. Eu acreditei e me certifiquei de que todos eram corretos. Nunca tive indício do contrário, fiz uma venda consciente, não fui obrigado, e não posso dizer que me arrependo. Fiz o que acreditei que deveria naquele momento.

Ninguém entendeu ao certo o que você vendeu de fato...
Eu vendi a loja, a empresa, e a marca Fause Haten para roupas. Eu não vendi a Fause Haten para jóias, brinquedos, roupa infantil, etc. Na realidade, eu fui o único dos estilistas que assinou o contrato. No dia 4 de janeiro, quando o anúncio oficial foi feito, eu não tinha a minha assinatura definitiva e vários jornalistas me cobraram que eu usasse a palavra venda, até porque o Alexandre [Herchcovitch] usava a palavra "venda", o Vicente Mello [presidente da I'M] usava a palavra "venda". Tem uma postura de integridade que eu mantive o tempo todo. Naquele momento eu não tinha a minha venda fechada.

PISCO DEL GAISO/ AG. FOTOSITE
A coleção feminina desfilada em janeiro não foi produzida

Como você enxergava o projeto?
Eu me referia a uma fusão ou uma associação. Eu tinha feito uma primeira assinatura, no dia 1º de dezembro de 2007, com um adendo de que o documento seria finalizado uma semana depois. Um mês se passou, e nada aconteceu. Depois do anúncio oficial, eu fui, pessoalmente, atrás das documentações que faltavam para resolver porque não queria ficar no meio do caminho, e aí não havia mais motivo para não assinar. Assinamos no dia 14 de janeiro. Quando eu fiz o desfile de inverno 2008 na SPFW, o contrato já estava assinado. A partir desta data não sou mais dono nem da empresa, nem da marca até o presente momento.

"Eu vendi a loja, a empresa e a marca.
Hoje a coleção passou, a roupa não foi entregue,
os pedidos foram jogados no lixo''

Quando você fala até o presente momento, é porque pretende recuperá-la?
Eu assinei o contrato conscientemente e imagino que os compradores também o tenham feito porque o contrato foi exaustivamente discutido. Hoje sou credor, e eles inadimplentes e o que vai acontecer daqui para a frente, eu não sei. Tenho certeza que são pessoas inteligentes que estão passando um momento difícil e encontrarão uma solução. Estou aberto a negociações e acredito na Justiça deste País.

E agora?
Eu vendi a marca porque cheguei num momento da minha vida em que eu queria me expressar artisticamente. Tornei-me um empresário de sucesso. Vendi uma empresa capitalizada, que trabalhava com capital próprio. Apresentei todas as certidões negativas em ordem, uma coleção pronta no show room que gerou mais de oito mil peças em vendas, peças caras e de luxo, que não foram entregues nem produzidas. Um pacote pronto! Uma decisão muito consciente, como eu já disse, porque não queria mais ser empresário, mas apenas um "ser criativo". O que mais falar?

A outra parte não se manifestou?
Até agora nada aconteceu formalmente. É muito complicado falar de tudo isto. A questão é que o problema não aconteceu hoje. Talvez, se tivesse havido uma conversa ainda em fevereiro, com oito mil peças a serem faturadas, eu teria reassumido a empresa, feito as entregas. Tudo diferente! Hoje a coleção passou, a roupa não foi entregue, os pedidos jogados no lixo...

DIVULGAÇÃO

 

Nada foi produzido da sua coleção de inverno?
No máximo 500 peças.

E como está a loja da Oscar Freire?
Uma loja não vive com 500 peças! Nunca mais entrei na loja, é muito sofrido para mim. Toda a minha equipe foi demitida, uma equipe que me acompanhava há anos e que de um momento para o outro não era boa o suficiente para o grupo. No momento que eu aparecia, as pessoas me faziam perguntas, eu não tinha o que falar: a loja e as decisões não eram minhas. Se vendi, vendi! Os donos é que têm que tomar as atitudes e lidar com os problemas.

Em que momento você percebeu que algo estava errado?
Desde o início. Quando eles assumiram a empresa em dezembro. Existia uma grande euforia, tudo era possível, o céu era o limite, e por várias vezes falei que não estava acostumado a trabalhar assim. Eles entraram como colonizadores, mudando tudo. No fim eles levaram a empresa para onde eles achavam que deviam, e não é agora, depois de terem feito o que fizeram, que vão querer me devolver, certo?

A proposta foi esta?
Uma das propostas é esta. Eu reassumir a empresa.

Se nada foi produzido nesta estação, que empresa estaria reassumindo?
Uma empresa que parou de pagar seus fornecedores em fevereiro, que acumulou dívidas, não produziu seus pedidos, conseqüentemente não teve faturamento, uma empresa que hoje não tem dono.

Não tem dono do ponto de vista moral? Mas do legal, tem?
Pois é... É tudo bem complicado...o contrato é bem claro. Diz quem são os donos, e não sou eu.

Então vamos falar de futuro!
Quero fazer só aquilo que me dá prazer, e aquilo que eu faço bem, uma roupa muito especial, delicada, cheia de detalhes, preciosismos, e é isto que eu estou fazendo. Meu desfile na SPFW será com uma marca nova, a "FH". Esta marca terá uma coleção mais restrita, focada na roupa especial, para a noite e o dia, e uma coleção de acessórios (sapatos, bolsas, cintos, porque eu sou completamente apaixonado!) exatamente como eu já fazia. Estou inaugurando o "Espaço FH", um lugar que será ateliê, loja de varejo e atacado. Um espaço fechado sem vitrine nem acesso livre ao público. Atenderá somente clientes indicados e os já habituais, além de um espaço para exposições, com uma galeria preparada para receber mostra de fotografia (uma grande parede negra de 30 metros de comprimento) e uma área de apresentações, própria para teatro, dança ou mesmo um desfile. Quero ter nesse espaço tudo o que gosto e o que eu e minha equipe de criação desenvolvermos. Além de minhas coleções, que desfilo na SPFW, pretendo fazer edições limitadas, colocar à venda minha seleção de peças vintage e quero apresentar novos estilistas para o mercado, trabalhos novos que eu descobrir e resolver apostar, uma coisa que há muito tempo quero fazer. Pretendo também aos poucos realizar meu sonho de trabalhar com objetos e utensílios para casa e também roupa infantil. Quero fazer a mesma roupa especial e cuidadosa que faço para a mãe, só que para a filha. Essas linhas poderão ser permanentes ou sazonais. Além disso estou disposto a trabalhar para outras empresas de moda que precisem de direção criativa.

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