Música • Home• Revista 25/3/2008
"Eu libertei os homens"
Aos 66 anos,Ney Matogrosso lança o 28º disco solo, diz ser um "desrepressor" e acredita ter incentivado o sexo masculino a se soltar e a criar

TEXTO AINA PINTO FOTOS ALEXANDRE SANT'ANNA

Envie esta matéria para um amigo
Ney Matogrosso na varanda de seu apartamento no Leblon, onde mora há 13 anos

“Não tenho preocupação de ter algo valioso, como negócio”, diz o cantor, sobre os quadros que tem em casa

Rita é gorda e não tem o menor pudor em se colocar entre duas pessoas no sofá, ocupando o espaço que bem entender. Também não tem problema em se aproximar de ninguém. O dono da casa onde ela vive é o oposto: magro, demora a permitir que se chegue perto dele, só deixa a conversa fluir depois de algum tempo. Rita é a gata e o dono da casa, uma ampla cobertura no bairro carioca do Leblon, é Ney Matogrosso. Essas são as diferenças mais perceptíveis entre os dois. Em comum, eles têm os gestos flexíveis e elegantes e a atração pela liberdade. Foi usando destas características que Ney fez Inclassificáveis, seu 28º álbum solo, baseado em show que também dará origem a um DVD a ser lançado em maio.

Aos 66 anos, o cantor exibe flexibilidade e elegância no palco. A liberdade está presente na escolha de repertório – com canções inéditas em sua maioria – e na conversa. É a palavra que Ney mais usa para falar da vida, do trabalho e do que chama de “sua função”. “Sou um ‘desrepressor’. Cada um tem uma função na vida. A minha é essa”, diz. “Encontrei o Xanddy no aeroporto. Ele me disse: ‘Ney, sabe que há influência sua no meu trabalho?’. Eu respondi: ‘Que bom, Xanddy’”, sorri, referindo-se ao rebolativo cantor de axé, marido de Carla Perez. “Eu soltei os homens de alguma maneira, dei liberdade para eles criarem.”

Reservado
Curioso é que, ao mesmo tempo em que é expansivo no palco, Ney é muito reservado fora dele. Gosta de ir ao cinema e ao teatro, mas o faz poucas vezes. Gosta do Leblon, porque o bairro tem jeito de cidade do interior. Não bebe, porque não gosta mais de álcool. Costuma ouvir rádio “para fazer o contrário” do que está sendo tocado. E, se em cena o moderno é que dá o tom, em sua casa, o estilo é rústico e confortável. Um desavisado que entra ali pode ficar esperando pelo convite para se sentar. Ele não virá. Ao que parece, Ney acha muito natural que as pessoas fiquem à vontade e se sentem porque assim deve ser. “Não gosto de fazer sala. Recebo amigos, mas são pessoas muito íntimas. Quando eles vêm aqui, vamos para o meu quarto, ficamos jogados, assistindo a filmes.”

PÁGINAS :: 1 | 2 | Próxima >>