Reportagens • Home• Revista 25/3/2008
Ensaio
Sheron Menezes desabrochou
Na adolescência ela era confundida com um garoto gordinho e hoje tem a beleza comparada à de outra musa da televisão, Taís Araújo

TEXTO MACEDO RODRIGUES FOTOS ALEXANDRE SANT'ANNA/ AG. ISTOÉ

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A gaúcha achou que o papel da patricinha preconceituosa em Duas Caras seria rejeitado pelo público, mas virou um sucesso

Sheron Menezes nem sempre foi esse mulherão que hoje brilha no horário nobre e povoa o imaginário masculino. A atriz da novela Duas Caras era, aos 13 anos, uma menina inteiramente desprovida de atrativos. Naquela época, chegava a ser confundida com um menino gordinho. Culpa do guarda-roupa, formado basicamente por blusões de moletom de número bem acima de seu manequim. Mesmo sem ter a vaidade comum das garotas de sua idade, ela se enchia de esperanças quando, nas festas, os garotos a tiravam para dançar. Sheron sempre tinha a expectativa de que rolasse algo mais. “Mas não acontecia nada. Eles só queriam me perguntar se tinham chances com minhas amigas. Da turma, fui a última a beijar na boca”, revela.

Os incidentes na adolescência não abalaram a auto-estima da linda gaúcha de 24 anos. Sheron começou a dar a volta por cima quando, num belo dia, acordou decidida a mudar sua história. Resolveu, de uma hora para outra, que queria ser modelo. Naquela ocasião, surpreendeu a mãe ao pedir que a matriculasse em um curso. E, como em um toque de mágica, o “menino” deu lugar a uma adolescente dona de curvas sinuosas escondidas debaixo daqueles largos moletons. Os blusões saíram de cena e roupas mais femininas começaram a tomar lugar nos cabides da nova Sheron, vaidosa e consumista. “Minha mãe se ralou, porque era um tal de mãe compra isso, compra aquilo”, diverte-se.

A gaúcha de 24 anos gastava o dinheiro que ganhava como modelo com cursos de interpretação e viagens ao Rio para fazer testes na Rede Globo

A beleza que logo desabrochou chamou a atenção e, em pouco tempo, ela começava a ser requisitada para fazer trabalhos como modelo. Com o dinheiro que ganhava, pagava cursos de interpretação e viagens de Porto Alegre para o Rio de Janeiro, onde ia participar de todos os testes que a Rede Globo abria para novelas. Ouviu muitos nãos, até ser aprovada para atuar na novela Esperança, em 2003. Sheron, então com 18 anos, desembarcou na Cidade Maravilhosa para seu primeiro papel na televisão. A estréia foi ousada. No começo de Esperança, ela quase sempre aparecia tomando banhos numa tina d’água, vestida com camisolas transparentes que deixavam seu corpo praticamente à mostra. “Para mim, com 18 anos, foram cenas muito fortes. Sofri no meu primeiro papel. Hoje, tiraria de letra.” Sheron não se arrepende de nada do que fez para chegar onde está. “Hoje vejo as pessoas que estudaram comigo fazendo a faculdade e morando com os pais. Enquanto eu estou aqui, independente e realizada com meu trabalho”, compara.

"Para mim, com 18 anos, foram cenas muito fortes.
Sofri no meu primeiro papel”

SOBRE AS CENAS DE NUDEZ
NA NOVELA ESPERANÇA

 

Quem vê a atriz que povoa o imaginário masculino não imagina que na adolescência era confundida com um menino gordinho
Depois de engatar um namoro em outro por dez anos, Sheron está feliz com a vida de solteira

“Não somos amigas, mas nos damos bem”
SOBRE TAÍS ARAÚJO, COM QUEM É
CONFUNDIDA PELOS FÃS E
ESCALADA PARA OS MESMOS PAPÉIS

Sósia

Nem de longe ela imaginaria que sua personagem Solange, de Duas Caras, cativaria os telespectadores. Ela admite que, ao ler a sinopse da história, pensou que tinha comprado um passaporte para o rol das personagens que entram na lista negra do gosto popular. Ledo engano. Para sua surpresa, a patricinha preconceituosa e esnobe da trama de Aguinaldo Silva é vista com simpatia pelas ruas do Rio de Janeiro, onde circula. “É meu trabalho mais popular. Acho que ela é tão surreal que acabou caindo nas graças do público.” Apesar do sucesso, Sheron ainda não conseguiu se livrar do mal-entendido que provoca entre os fãs, que costumam confundi-la com a atriz Taís Araújo. A situação é tão freqüente que já acabou virando piada. Quando a chamam de Taís, ela acena. Se lhe pedem autógrafo, ela nem pestaneja: “Claro que assino Taís Araújo. Ué, a pessoa quer um autógrafo dela, não quer o meu”, diz, com um malicioso sorriso.

A associação entre as duas atrizes não é exclusividade do público. Por terem tipos físicos semelhantes, ambas são cogitadas para os mesmos papéis. Antes de Sheron, Taís havia sido convidada para interpretar Solange, mas recusou o convite e deixou a vaga em aberto. Sheron foi a segunda opção, mas não está nem um pouco incomodada com isso e garante que não vê Taís como uma rival. “Nunca rolou isso. Não somos amigas, mas nos damos bem”, esclarece.

Livre e solta

A atriz confessa que sempre foi uma moça namoradeira. Mas depois de engatar um longo romance no outro, ela curte há quatro meses uma fase de descomprometimento. “Namorei nos últimos 10 anos da minha vida. Já deu, né? Estou me sentindo ótima sozinha e quero mais é aproveitar a vida de solteira”, conta. O último par, que ela tentou esconder na ocasião e hoje já não faz mais mistério, é o ator e cantor D’Black. “Ele não é famoso, mais vai ficar”, aposta, contando que o rapaz é protagonista do filme Maré – Nossa História de Amor, de Lúcia Murat, está lançando um CD e atua na novela da Band, Dance, Dance, Dance. Antes de D’Black, ela ficou dos 19 aos 23 anos com o americano Eron Cichowski e conta que engatou seu primeiro namoro cedo: aos 14 anos. Tão logo havia abandonado os largos moletons e desabrochado como uma linda mulher.