Cinema • Home• Revista 25/3/2008
AVENTURA
Jumper
Deficiências no roteiro comprometem ficção-científica

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DIVULGAÇÃO
O protagonista David Rice transporta-se para lugares como Egito, Roma e Nova York

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NÃO SERIA fantástico poder se transportar para onde se quisesse? Com esta premissa, desenvolvida a partir do romance homônimo de Steven Gould, estréia a mirabolante aventura Jumper (nome dado a quem tem tal habilidade no filme), do cineasta Doug Liman.

Aqui, David Rice (Hayden Christensen, o Anakin Skywalker dos episódios 2 e 3 de Guerra nas Estrelas) descobre esse poder quando adolescente e passa a ter uma vida cheia de emoções, em especial depois de roubar cofres de banco sem arrombar portas. Com isso, o filme tem locações autênticas, entre outras, em Nova York, Paris, Roma (com filmagem vigiada dentro do famoso Coliseu) e Giza, no Egito.

Os três roteiristas envolvidos têm know-how em filmes de ação: David S. Goyer (da trilogia Blade e de Batman Begins), Jim Uhls (Clube da Luta) e Simon Kinberg (X-Men 3 e Sr. & Sra. Smith, este também dirigido por Liman). Eles amarram bem cenas repletas de ótimos efeitos especiais, com destaque para os confrontos entre David e Roland (Samuel L. Jackson, que atuou ao lado de Hayden em Guerra nas Estrelas), um impiedoso paladino (caçador de jumpers ), e para os momentos com a reticente ajuda de outro jovem jumper, Griffin (Jamie Bell, de King Kong), por sua vez um caçador de paladinos.

Liman é um diretor com vocação pop (a trilha sonora inclui bandas como The Hives e Charlatans) e dono de uma câmera hiper-cinética (como provou em A Identidade Bourne) – ele dá uma embalagem eficiente ao pacote.

Está certo que o filme não pretende revolucionar, nem quebrar barreiras. Mas o puro entretenimento, que de fato se manifesta em várias passagens, fica comprometido com fortes deficiências do roteiro: ele é vago ao definir a existência secular de jumpers e paladinos, não desenvolve nem mesmo uma lógica interna, dá grande espaço a uma chata história de amor para o herói, insere mal a figura-chave da mãe de David, Mary Rice (Diane Lane, de Infidelidade), e confere um fecho medíocre ao personagem de Griffin. A versão em game existente no mercado deve ser mais satisfatória. E, apesar de as bilheterias americanas terem frustrado (o filme mal empatou seu investimento), está prevista uma continuação nas telonas para 2011. Até lá, porém, muitos outros saltos podem ainda mudar essa história. Christian Petermann