Reportagens • Home• Revista 25/3/2008
Carreira
Mônica voltou de Marte
Mônica Martelli, estrela da peça os Homens são de Marte... e é pra lá que eu vou!, diz não ter saudade da solteirice,tema que inspirou seu sucesso no teatro, e, perto dos 40 anos, sonha em ser mãe

TEXTO JOÃO BERNARDO CALDEIRA

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PAULO JARES
“Não acredito em casamento aberto, não tenho sangue para isso”, diz a atriz

Ao deparar-se com a atriz Mônica Martelli, não espere reconhecer as angústias e aflições da personagem Fernanda de seu famoso espetáculo Os Homens São de Marte... E É Pra Lá Que Eu Vou! A peça que escreveu e estreou com estrondoso sucesso há três anos foi inspirada numa Mônica que não existe mais. Ela não lembra em nada aquela obstinada mulher solteira à procura de marido. Acabou-se o tempo em que, assim como a personagem, transava no primeiro encontro e depois se arrependia, ou que dirigia seu Uno Mille até outra cidade para forjar um encontro casual com um pretendente que jamais daria certo. Aos 39 anos, com corpinho de 20, ela mantém o estilo de menina serelepe e espevitada com o qual se tornou conhecida em cena. No entanto, surpreende ao revelar- se uma mulher mais à moda antiga do que transgressora.

Alta fidelidade

Seu próximo projeto é escrever sobre a vida depois do casamento

O casamento de seis anos lhe deu ares de mulher madura, daquelas que não querem nem ouvir falar em relação aberta. “Não acredito em casamento aberto, não tenho sangue para isso”, revela. “Esse negócio de viajar, chegar em casa e dizer: amor fiquei com uma menina, para mim, não rola.” Mônica não tem receio de afirmar: apóia a instituição casamento e não tem saudade dos tempos de solteirice. “Eu ficava com um cara, transava, e no outro dia batia aquela solidão, aquele vazio”, lembra. Não que a atriz levante bandeiras contra o sexo casual, afinal ela faz parte da geração de mulheres cujos objetivos não eram mais casar virgem e se tornar dona-de-casa. “Hoje essa mulher independente trabalha, tem dinheiro, mora sozinha, mas também quer casar. Não sou Amélia, nem mulher que quer ficar sozinha”, justifica. A experiência vivida com o marido, o americano Jerry Marques, 49 anos, a faz defender a tese de que é importante conhecer o parceiro antes de uma primeira transa.

Mônica diz que gosta de curtir até onde pode o jogo da sedução e de se colocar no clássico posto de mulher cortejada. Aí, então, se entrega. “Não dei no primeiro dia, mas dei no segundo”, diz, às gargalhadas, sobre sua aproximação com Jerry. “Ele ficou um mês viajando, a gente foi se correspondendo, e na volta marquei um jantar lá em casa para facilitar a situação”, conta. Seis anos depois, o romance continua lindo e ela tem na ponta da língua a explicação para a longevidade do relacionamento. “Na primeira briga, as pessoas querem logo se separar e pensam: Ai, o que esse cara tem a ver comigo? Todo mundo é muito descartável”, critica.

Os anseios não eram exclusividade da vida amorosa. No lado profissional, ela também já passou aquele aperto no coração, aquela angústia que quase a fez desistir da carreira. Vestir-se de tartaruga em um programa de televisão foi uma dessas situações que a fizeram repensar a profissão. A dúvida passou. Depois do sucesso do espetáculo, a atriz fez três filmes, vai estrelar a versão de Os Homens São de Marte... no cinema e vive seu primeiro papel de destaque na novela Beleza Pura. “O mundo é dos que não têm medo”, diz hoje uma aliviada Mônica Martelli.

Fotos: PAULO JARES
“Não dei no primeiro dia, mas dei no segundo”, diz ela, sobre o início da relação com o marido

Por fora a gente é gata, mas o óvulo não malha, não faz botox, não passa filtro solar
MÔNICA MARTELLI, 39 ANOS, SOBRE A DIFICULDADE DE ENGRAVIDAR

Desde o sucesso do monólogo, a atriz passou a ser parada nas ruas e a ser vista como uma espécie de consultora amorosa. Ela costuma disparar pérolas como “Não se deve dar na primeira noite. Você precisa dar oportunidade para ele te conhecer mais além do sexo” ou “se transar duas vezes, para mim já é namoro”. Para a atriz, as pessoas se identificam com o romantismo da personagem, sempre disposta a mergulhar de cabeça em busca da felicidade e pronta para dar a volta por cima.

Nova história

Depois de tanto observar as relações humanas, a autora promete expor novamente todos os detalhes do novo capítulo amoroso de sua vida pessoal, com toques de ficção. “Sempre vou escrever sobre relações porque só isso me interessa”, explica ela, fã dos filmes amoroso- existenciais de Woody Allen e Domingos de Oliveira. Entre tantos projetos profissionais, que inclui um livro sobre a peça, a atriz quer ainda realizar o sonho de ser mãe. Mônica já sofreu três abortos espontâneos de bebês não planejados, todos com Jerry. “Tenho 39 anos, tenho medo como todo mundo. Por fora a gente é gata, mas o óvulo não malha, não faz botox, não passa filtro solar”, compara a atriz, sem jamais perder seu habitual bom humor.