Televisão • Home• Revista 25/3/2008
A guinada da leoa
Casada com Gabriel o Pensador, Aninha Lima deixou o posto de backing vocal na banda do marido para tentar a carreira de atriz e colhe os primeiros dividendos em Desejo Proibido

Envie esta matéria para um amigo

Aos 30 anos, grávida e com um filho de dois anos para criar, este não parecia ser o cenário ideal para Aninha Lima se lançar na profissão de atriz. Ainda mais que a mulher de Gabriel O Pensador havia engavetado o projeto de carreira 13 anos atrás, quando, ainda adolescente, foi obrigada a largar as aulas de teatro que fazia por falta de dinheiro para pagar as mensalidades. Por outro lado, o fato de ter sido mãe a havia fortalecido. “Fiquei completa com a maternidade. Fiquei mais segura. Até minha voz mudou. Parei de ter certos medos, virei uma leoa”, conta. E foi com este espírito felino que ela abandonou um trabalho de nove anos como backing vocal da banda de Gabriel e mergulhou nos estudos de interpretação até se sentir preparada para atuar.

O momento chegou três anos depois, em abril do ano passado, quando ela viu no jornal uma reportagem em que Walther Negrão e Marcos Paulo, respectivamente autor e diretor de Desejo Proibido , contavam estar em busca de locações para gravarem a novela. A atriz não tinha nenhuma sugestão para oferecer, mas aquilo lhe deu um estalo. Ela se encheu de coragem e ligou para Marcos Paulo pedindo para participar da seleção do elenco. Uma semana após realizar o teste, o celular de Aninha tocou. Era da Rede Globo: ela acabara de conquistar seu primeiro papel na emissora, a recatada Eulália. O diretor Marcos Paulo não se arrepende de ter apostado na atriz. “Tinha certeza que ela estava pronta, que iria acertar no personagem e estou adorando o seu desempenho”, elogia.

Drama na infância
Esse não foi o único desafio vencido por Aninha, que teve de enfrentar a morte da mãe, vítima de câncer, quando tinha apenas quatro anos de idade. Ela conta que até os sete não sabia exatamente o que havia acontecido. Na época, ela apenas viu a mãe sair pela porta de casa para nunca mais voltar. Para poupá-la do sofrimento, o pai, Wander, e a avó materna, Dilma, não explicavam exatamente o que havia acontecido, atitude que serviu para aumentar as angústias da menina. A ficha caiu três anos mais tarde, quando ela voltava da festa do Dia das Mães na escola. “Foi quando chorei para valer. O meu pai sentou do meu lado e falou: ‘Chora, minha filha, porque eu não posso fazer nada.’ Foi um sofrimento inenarrável”, recorda, com a voz embargada.

A superação do trauma só veio com o nascimento dos filhos e a ajuda da análise. “Eu tinha a sensação de que morreria com 33 anos, a mesma idade com a qual minha mãe morreu.” Outra fobia desenvolvida pela atriz era a de pensar que as pessoas queridas que saíam de casa, como seu pai e, depois, Gabriel, poderiam nunca mais voltar. “Chorava compulsivamente, quando o Gabriel ia viajar.”

Agora, porém, aos 34 anos, a mãe de Tom, 6, e de Davi, 3, curte a realização de seu sonho. “Até hoje não acredito que estou fazendo uma novela”, festeja. Casada há 11 anos, a entrada na carreira de atriz marcou uma nova fase na vida do casal. Durante nove anos, Aninha acumulou as funções de backing vocal e braço direto do marido, por isso sofreu muito quando deixou a banda, que vivia em clima de uma grande família. A atriz considera o apoio do cantor decisivo para a guinada que deu. “Gabriel me deu muita força. A gente tem tanta cumplicidade com a felicidade do outro, que não sobra espaço para qualquer competitividade”, garante.

A maternidade deixou Aninha mais segura para se lançar numa nova profissão aos 30 anos. “Parei de ter certos medos, virei uma leoa”