Reportagens • Home• Revista 25/3/2008
ESPORTE
O mestre do tatame
O judoca Tiago Camilo, que ficou de fora da olimpíada de Atenas, vai com garra extra para conquistar o ouro em Pequim

TEXTO GABRIELA PESTANA

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JOÃO WAINER/ FOLHA IMAGEM
"Meu próximo desafio é, sem dúvida, o ouro olímpico. Acordo, treino e descanso com esse objetivo", diz o atleta, prata em Sydney

Tiago Camilo veste quimono desde muito cedo. Ele estreou como judoca aos cinco anos, embalado pelo irmão mais velho, Luis Camilo, conhecido no meio do esporte como Chicão. Se não fosse a influência familiar, provavelmente um vizinho o apresentaria à luta marcial. Em Bastos, cidade do interior de São Paulo onde passou a infância, 75% da população é de origem japonesa e o judô era uma das alternativas esportivas acessíveis. "Começou como uma brincadeira, o Chicão foi treinar e eu só fui acompanhá-lo. Mas, no dia seguinte, lá estava eu, dando meus primeiros passos no judô", lembra o atleta. Aos 14 anos, o judoca deixou para trás a vida calma do interior e, acompanhado do irmão, mudou-se para São Paulo, a fim de tentar outras oportunidades. A nova etapa começou no Projeto Futuro, lutando ao lado dos ídolos Aurélio Miguel e Henrique Guimarães. Não demorou para começar a acumular importantes conquistas e ter visibilidade. Em 2000, atingiu o ápice da carreira ao conquistar a medalha de prata na Olimpíada de Sydney. Depois, passou pela decepção de não participar dos Jogos de Atenas, em 2004, mas logo recuperou a auto-estima com o ouro no Pan do Rio, em 2007. "Tudo aconteceu rapidamente na minha vida, mas sempre foi com muito trabalho, luta e perseverança", reconhece o judoca de 25 anos.

A ausência na Olimpíada da Grécia será recompensada com garra extra na China. "Meu próximo desafio é, sem dúvida, o ouro olímpico. Acordo, treino e descanso com esse objetivo." Tiago teve a vaga em Pequim confirmada pela Confederação Brasileira de Judô (CBJ) na sexta-feira 14. Mas ele sabia que já estava com os dois pés nos Jogos após o fraco desempenho de Flávio Canto, seu concorrente no meio-médio, na etapa de Paris da Super Copa e na Copa do Mundo de Viena.

A gratidão pelo sucesso conquistado durante as duas décadas de luta no tatame tem sido revertida a uma boa causa. Tiago mantém há sete anos um projeto social na cidade de Bastos, sob supervisão dos antigos professores. "É preciso retribuir", justifica o atleta, que costuma fazer o sinal-da-cruz antes de iniciar a luta.