Cinema • Home• Revista 24/3/2008
DRAMA
Chega de saudade
Segundo longa da diretora de Bicho de Sete Cabeças faz do público um participante do baile

Aina Pinto

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Maria Flor e Stepan Nercessian são Bel e Eudes, o casal improvável do filme

UM FILME que se passa em uma única noite e em praticamente um único cenário, que retrata o universo da chamada terceira idade e não tem policial mandando matar. Como uma produção dessas consegue prender a atenção das pessoas, cada vez mais dispersas com pipocas, refrigerantes e celulares? Pois Chega de Saudade foi eleito pelo público o melhor do último Festival de Brasília. Talvez,seja porque o filme de Laís Bodanzky (de Bicho de Sete Cabeças) dá a sensação de que quem está no cinema é mais que um mero espectador.

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O enredo gira em torno de Marici (Cassia Kiss), que vai com Eudes (Stepan Nercessian) ao baile, mas fica sozinha porque ele dança a noite toda com Bel (Maria Flor), namorada do DJ Marquinhos (Paulo Vilhena). Do outro lado do salão, Álvaro e Alice (os excelentes Leonardo Villar e Tônia Carrero) tentam superar a idade para manter a paixão entre eles e pela dança.

Chega de Saudade coloca o público dentro do filme. A trilha sonora constante e quase sem alteração na intensidade favorece essa impressão de que se faz parte da dança. E os personagens são tão possíveis que lembram alguém próximo. Claro que tudo poderia ser uma tremenda chateação se a direção tivesse um olhar complacente. Laís Bodanzky passou longe disso e fez um filme simples e sedutor.