Televisão • Home• Revista 24/3/2008
Querido ator
Vivendo um polêmico personagem na minissérie Queridos Amigos, o curitibano Guilherme Weber cai nas graças do público e fala de sua nova vida no rio

TEXTO MACEDO RODRIGUES
FOTO ALEXANDRE SANT'ANNA/ AG. ISTOÉ


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Avesso a casamento de papel passado, Guilherme, que mora com a namorada, diz que só é bom viver com alguém quando não se consegue mais ficar sem este alguém

Um homossexual promíscuo, sarcástico, amargo e provocador. O perfil de Benny na minissérie Queridos Amigos tinha tudo para ser um espelho desagradável à comunidade gay. Contudo, o personagem de Guilherme Weber caiu nas graças dos homossexuais por ter protagonizado com Pedro (o ator Bruno Garcia) um controverso primeiro beijo gay da teledramaturgia brasileira. E a controvérsia partiu do próprio ator, que contestou a idéia, argumentando que o tabu só seria quebrado se colocassem dois homens se beijando com olhos fechados e música romântica ao fundo. O que apareceu na televisão foi apenas um selinho roubado.

Guilherme garante que não se incomodaria em ser agente deste ineditismo, mas diz também que não se sentiria engrandecido por tomar parte num momento histórico como esse. “A comunidade gay se manifestou muito, ansiosa para que esse tabu se quebre. E daí surgiu uma grande empatia com meu personagem, mas ainda não houve beijo gay.” O ator prefere destacar a boa aceitação que seu trabalho vem tendo nas ruas, sem sofrer em momento algum com comentários preconceituosos. “É, parece que os homofóbicos estão indo para o armário, pois que fiquem lá dentro”, diverte-se.

Residência fixa

Rosto bissexto na televisão, Guilherme Weber, de 33 anos, vem colecionando elogios da crítica por sua atuação na minissérie. Com uma sólida carreira teatral à frente da Sutil Companhia de Teatro, sediada em Curitiba, ele está concluindo sua mudança para o Rio, o que talvez possa lhe dar mais oportunidades de atuar em televisão. Desde 2000, ele alternava-se no eixo Rio-São Paulo-Curitiba, morando em flats, e sentia falta de uma base para guardar seus livros, discos e filmes e saber onde suas coisas estão. “Tudo o que é meu ficava espalhado entre as três cidades. E sempre que eu queria alguma coisa nunca estava à mão.”

Na escolha pelo Rio, porém, pesou outro fator: há dois anos o discreto ator tem uma namorada na cidade. “Ela não é do meio e não quer que eu fale muito sobre ela, quer se preservar e eu respeito isso.” Mas não se surpreendam se Guilherme resolver viver junto com sua amada. Avesso a casamento de papel passado, ele diz que só é bom viver com alguém quando não se consegue mais ficar sem este alguém. “É quando você quer viver aquele amor em todos os meandros e turnos do dia. E é isso que estou vivendo hoje no meu relacionamento. Nos vemos todo dia, toda hora.” Por conta da nova fase, ele admite que talvez tenha chegado o momento de ter um filho. “Esse projeto estava muito adiado por força dessa minha vida cigana, acho que agora, que eu tenho uma base, a coisa está mais sólida, talvez seja mais fácil”, revela.

Guilherme está feliz com sua nova moradia, em Copacabana, no Rio. Morador do bairro desde o início dos ensaios de Queridos Amigos, em outubro, o ator já circula com desenvoltura pela vizinhança, cumprimentando e sendo cumprimentado por crianças, porteiros e senhoras. Curiosamente, saúda a todos como “queridão” e “queridona”. “Já sou popular. Se eu me candidatar aqui, não tem para ninguém”, brinca.