Livros • Home• Revista 24/3/2008
BIOGRAFIA
Confissões de um rabino
Henry Sobel conta sua história em Um Homem, Um Rabino (Ediouro, 336 págs., R$ 39,90), desde a adolescência nos Estados Unidos, passando pelo envolvimento na defesa de direitos humanos, até o momento em que teve de deixar a presidência do rabinato da Congregação Israelita Paulista (CIP) devido à repercussão de sua prisão por furto de gravatas

(Aina Pinto)

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MURILLO CONSTANTINO/ AG.ISTOÉ
Sobel fala sobre religião e seu envolvimento com celebridades e políticos

APRESENTAÇÃO Henry Sobel inicia o livro questionando: “Quem sou eu? O rabino que ficou conhecido em todo o Brasil pelo sotaque norte-americano forte, a kipá vinho e a dedicação à defesa dos direitos humanos? (...) Ou um malandro que rouba gravatas?”. É o ponto de partida da narrativa, desde que ele decidiu estudar para ser rabino.

VLADIMIR HERZOG O rabino estava no Rio de Janeiro quando recebeu o telefonema de um funcionário do serviço funerário da CIP, avisando da morte de Herzog e contando que havia sinais de tortura no corpo do jornalista. Por isso, Sobel determinou que o sepultamento não fosse na ala dos suicidas.

SOTAQUE No capítulo “Mídia e Poder”, Sobel fala do sotaque que mantém mesmo depois de tantos anos vivendo no Brasil. “A grande verdade é que eu nunca senti a necessidade de perdê-lo. Nunca fiz força para isso. Terminei incorporando- o a meu personagem. E acho que a mídia e o Brasil aceitaram isso sem problema.”

CELEBRIDADES Sobel reservou o capítulo “Chiques e não-famosos” para falar de casamentos que celebrou, como o da então prefeita de São Paulo Marta Suplicy e Luis Favre, de Angélica e Luciano Huck e do maestro John Neschling e Patrícia Melo, este último marcado para poucos dias após o episódio das gravatas. “Foi minha primeira aparição em público depois de nove dias de internação no hospital, e os noivos, seus padrinhos e convidados receberam-me com muito carinho.”

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GRAVATAS Sobel repete no livro o que declarou quando o furto de gravatas na Flórida se tornou público, dizendo que estava sob efeito de remédios. “Quando me perguntaram minha profissão, eu disse: ‘professor’ (não usava a conhecida kipá cor de vinho...). Estava muito confuso, é claro, mas acho que era uma forma quase inconsciente de me proteger – e de proteger a CIP.”

ANTECEDENTE Ao falar sobre o episódio das gravatas, Sobel revela que aquela não foi a primeira vez. “Em 1985, na mesma cidade da Flórida, no mesmo centro comercial, apanhei uma gravata e saí sem pagar. Fui barrado por um segurança na porta, paguei a gravata e não houve conseqüências – nem fotografias.”