Cinema • Home• Revista 17/3/2008
BIOGRAFIA
Não Estou Lá
Biografia não-linear registra com perfeição o lado criativo e contraditório de Bob Dylan

Envie esta matéria para um amigo
Heath Ledger (à dir.): Bob Dylan foi um dos últimos papéis do ator, morto em janeiro

Leia também

Cinema
Exposição
Música
Livros
Teatro
Internet
Televisão
Gastronomia

EXIBIDO na última Mostra Internacional de Cinema de SP, Não Estou Lá dividiu os críticos. Muitos consideraram- no, não sem razão, um dos filmes mais instigantes do ano. Outros simplesmente não gostaram, derrubados pela total despreocupação com a biografia de seu objeto (no caso, o cantor Bob Dylan), pelo tom quase anárquico da montagem não-linear, bem como pelo uso de seis atores diferentes para interpretar o músico (incluindo uma mulher, Cate Blanchett – genial – e um negro).

O uso de diferentes atores pelo diretor Todd Haynes (Velvet Goldmine), traduz as metamorfoses de Dylan, um músico que descobriu a liberdade antes da técnica. Não há preocupação em entender seu estilo de vida. Cada fase é mostrada como se ele fosse alguém diferente, perfeita tradução para suas contradições. Detalhe: os personagens têm nomes diferentes, e Dylan só é citado numa imagem.

Não Estou Lá desafia nossa tendência a buscar definições para tudo. Qualquer tentativa de síntese é reducionista. É como ir a uma Bienal de Arte e parar diante do novo quadro de algum artista genial. Uns odeiam, outros apenas não entendem, mas muitos vão parar e se deixar imantar pela contagiante pulsão criativa. Vale comparar com No Direction Home (disponível em DVD), documentário mais tradicional, feito em 2006 por Martin Scorsese. Marcelo Lyra