Cinema • Home• Revista 17/3/2008
SUSPENSE
Ponto de Vista
Grandes atores estrelam ficção sobre um atentado contra o presidente americano

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DIVULGAÇÃO
William Hurt e Dennis Quaid são nomes fortes do elenco, que ainda tem Sigourney Weaver

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NA CIDADE espanhola de Salamanca, governantes de inúmeros países encontram- se para discutir a guerra contra o terrorismo. Durante uma aparição em praça pública, o presidente dos EUA, Ashton (William Hurt, também em cartaz com Na Natureza Selvagem), sofre um atentado a tiros. Pouco depois, uma forte bomba explode na praça, e o caos se instala. Esta situação é destrinchada à semelhança de como o mestre Akira Kurosawa praticou em sua obraprima Rashomon (1950): o mesmo período de tempo é visto por prismas diferentes. São oito personagens principais e cinco pontos de vista mais um epílogo que atestam como toda verdade tem muitas faces.

Gerado por sangue novo em Hollywood – o diretor irlandês Pete Travis vem da tevê, e Barry Levy escreve seu primeiro roteiro –, o filme é um interessante exercício de suspense. Ajuda muito o fato de o longa estar repleto de ótimos e famosos atores, que conquistam empatia junto ao espectador. A obra começa com a diretora de um telejornal interpretada por Sigourney Weaver, passa, entre outros, por um traumatizado segurança do presidente (Dennis Quaid) e um solitário turista americano (Forest Whitaker) e vai até um assessor do prefeito de Salamanca de comportamento suspeito (Eduardo Noriega, de Plata Quemada). A presença muçulmana é registrada com Suarez (o astro do cinema francês Saïd Taghmaoui, de O Caçador de Pipas).

O espectador fica interessado nos desenlaces, reviravoltas e surpresas da trama durante cada novo ponto de vista. A montagem é nervosa, o quebra-cabeça é bem armado, e o tema tem temerosa verossimilhança. (Curiosidade: também está em cartaz, em algumas capitais, o falso documentário A Morte de George W. Bush, do inglês Gabriel Range, sobre um atentado fatal cometido contra Bush em Chicago.) Lamentase, portanto, que na conclusão os criadores abandonem a boa tensão para derrapar no simples filme de ação. Deixando algumas pontas soltas, o epílogo transforma-se numa acelerada perseguição de realismo cinematográfico, reduzindo em muito o impacto de tudo que o antecedeu.

Esta opção final talvez se explique pela vontade do efeito fácil dessa nova geração, ainda em processo de evolução artística. Mesmo frustrando no clímax, Ponto de Vista se faz valer por ser um filme ágil e curto, que não perde tempo e promove entretenimento com assuntos atuais e urgentes. Christian Petermann