Música • Home• Revista 17/3/2008
Novas Bossas
Voz esmaecida de Milton Nascimento diminui brilho de disco que dá novo colorido às músicas de Tom Jobim

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Milton Nascimento e o Jobim Trio: tributo pouco ortodoxo aos 50 anos de bossa nova

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A MORTE de Tom Jobim em 1994 impediu a concretização de um disco que seria gravado no ano seguinte pelo maestro com Milton Nascimento. Ao se juntar ao Jobim Trio para fazer o CD Novas Bossas, lançado este mês com turnê nacional que começa pelo Rio na sexta 14, o cantor realiza o sonho de Tom por vias indiretas. Jobim está presente como autor de oito das 14 músicas do repertório e, sobretudo, por conta da musicalidade do Jobim Trio, integrado por seu filho (Paulo) e neto (Daniel) ao lado do baterista Paulo Braga. Gravado no estúdio caseiro de Milton, o álbum é o tributo pouco ortodoxo deste mineiríssimo carioca aos 50 anos da bossa nova.

Novas Bossas faz jus ao título porque as harmonias sempre originais de Milton apontam outros caminhos para as músicas de Jobim sem descaracterizá-las. O barulho de trem evocado no arranjo de "Chega de Saudade" já valeria o disco. Outro mérito é a seleção do repertório, que mescla clássicos como "Inútil Paisagem" com temas quase desconhecidos de Jobim - como o samba "Velho Riacho". O que diminui o brilho do CD é o canto de Milton. Sua voz de caráter divino, como bem caracterizou Elis Regina, perdeu potência e soa esmaecida. Milton até evoca seu auge vocal nos falsetes de "O Vento", de Dorival Caymmi. Mas, quando revisita a própria obra, com dispensáveis releituras de "Cais" e "Tudo que Você Podia Ser", fica claro que a palidez de seu canto atual ameniza o impacto que Novas Bossas poderia causar. Mauro Ferreira