Especial • Home• Revista 10/3/2008
DIA DA MULHER
Viviane Senna
Com uma história marcada por tragédias, como a perda do irmão e do marido, ela preferiu sonhar e investir na realização de sonhos

ROGÉRIO ALBUQUERQUE/ AG.ISTOÉ
“Venci o mal pelo bem”
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Viviane Senna, 50 anos, é uma realizadora de sonhos. Do sonho de seu irmão, Ayrton, que dois meses antes de morrer no trágico acidente em Ímola, Itália, em 1994, pediu à irmã mais velha que pensasse em algo para ajudar a infância brasileira. Do sonho de crianças e adolescentes atendidos pelo Instituto Ayrton Senna, que ela criou nesse mesmo ano, com o objetivo de dar condições para que todos pudessem desenvolver seu potencial. Do sonho de seu filho, Bruno, 24 anos, que decidiu assumir, há pouco mais de três anos, a paixão pelo automobilismo e está correndo na GP2, categoria de acesso à Fórmula 1.

O sonho do filho é um dos que mais a movem no momento. Ela conta que o desejo do rapaz de correr veio à tona quando ele ganhou o primeiro carro, aos 18 anos. A família ficou atônita, por razões óbvias. Fezse o silêncio por meses, Bruno foi para a faculdade de Administração e tudo caminhava para que ele se envolvesse nos negócios da família. Até que a própria Viviane resolveu voltar ao assunto. “Precisava saber qual era realmente o sonho dele, por mais medo que eu tivesse”, conta. Alguns anos depois, ela acompanha, orgulhosa, o filho em quase todas as corridas. No ano passado esteve em 20 das 22 etapas do campeonato, que percorre da Ásia à Europa. Mudou a rotina e superou os traumas para estar perto dele, incentivando-o.

Viviane também viveu seus pesadelos. Além da morte do irmão, perdeu o marido e pai de seus três filhos (é também mãe de Bianca, 28 anos, e Paula, 21) dois anos mais tarde. “Tinha todo o direito de ficar deprimida”, afirma. “Mas preferi seguir uma frase bíblica que diz: ‘Não os deixei vencer pelo mal, mas vencei o mal pelo bem’.” Fazer o bem foi sempre o propósito de Viviane. Ela conta que, ainda estudante, no cinema, viu um comercial de uma fundação para crianças carentes e comentou o quanto seria bom realizar algum projeto semelhante. Por 20 anos, atendeu como psicóloga clínica. Até criar essa instituição que é uma das mais conceituadas e atuantes do País e que já ajudou oito milhões de crianças. Alguém duvida que Viviane Senna não realize seus próprios sonhos todos os dias? (DÉBORA CRIVELLARO)