Música • Home• Revista 10/3/2008
Omara Portuondo e Maria Bethânia
Cantoras evocam tradições de Brasil e Cuba em disco íntimo

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Turnê das cantoras começa em 7 de março

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PAUTADO por silêncios e instrumental econômico, baseado em cordas e percussão, o álbum que promove o encontro inédito entre Maria Bethânia e Omara Portuondo – veterana estrela cubana que teve sua luz reacendida em 1996 no projeto coletivo Buena Vista Social Club – é histórico pela simples reunião de duas intérpretes intensas que nunca haviam cruzado suas trajetórias. Contudo, deixa no ar a sensação de que poderia ter havido maior interação entre as artistas. Bethânia e Omara cantam juntas em apenas quatro das 11 faixas. O restante do repertório as une por afinidades temáticas, como o gosto por boleros derramados e canções ruralistas.

O álbum Omara Portuondo e Maria Bethânia – que gerou turnê internacional que começa em 7 de março pelo Rio de Janeiro – evoca tradições de Brasil e Cuba. A opção por centrar o repertório nos anos 40 e 50 denota uma saudade da pureza musical e humana que não existe mais nos dois países. O disco tem tom íntimo e pessoal que beira o sublime quando Bethânia leva Omara a percorrer a melancólica trilha sertaneja de “Você (Penas do Tiê)” e a fazer um canto quase falado em “Só Vendo que Beleza (Marambaia)”. Omara, por sua vez, faz a intérprete brasileira mergulhar no típico suingue cubano em “Tal Vez” e no romantismo lírico de “Para Cantarle a mi Amor”. Os quatro duetos valem o disco, que, a despeito da pouca interação entre as intérpretes, tem o mérito de unir músicos brasileiros e cubanos e de respeitar o universo das duas cantoras. (M.F.)