Música • Home• Revista 10/3/2008
Sleep Through the Static
Em seu quarto álbum, Jack Johnson morre na praia da linearidade

Envie esta matéria para um amigo
Fotos: DIVULGAÇÃO
Jack Johnson: disco gravado em equipamento movido a energia solar

ESTRELAS:

DEPOIS de colaborar em trilhas sonoras como a do filme George, o Curioso, Jack Johnson apresenta seu quarto álbum. Já bem-sucedido nas paradas norte-americanas, onde galgou rapidamente os primeiros lugares, Sleep Through the Static reitera cânones da música do cantor e surfista havaiano. Mas, justiça seja feita, o artista paira acima da média rasa do estilo "música para luau à beira da praia" e, na comparação com artistas como o gaúcho Armandinho, a estrela brasileira do gênero, parece até inspiradíssimo neste CD em que retoma a parceria com JP Plunier, produtor de seu primeiro álbum, Brushfire Fairytales, de 2001.

Leia também

Cinema
Exposição
Música
Livros
Teatro
Internet
Televisão
Gastronomia

Sleep Through the Static morre na praia da linearidade. Inteiramente gravado em equipamento analógico movido a energia solar, o álbum tem uma certa elegância que não desfaz a impressão de ser mais do mesmo na obra de seu criador. Há ligeiro flerte com o reggae em "Hope" e há alguns momentos de beleza como "They Do, They Don't", faixa de instrumental minimalista.

No todo, porém, o disco soa arrastado, previsível demais, com o violão dando o tom zen de temas como "Angel". O único traço de novidade é uma melancolia que não chegou a sobressair em trabalhos anteriores do cantor, como On and on e In Between Dreams, que tiveram o dedo do brasileiro Mario Caldato Jr. na produção. E, como tristeza não combina com luaus, talvez este quarto álbum de Johnson não faça tanto sucesso nas rodinhas praianas. Mauro Ferreira