Sociedade • Home• Revista 26/2/2008
Da cela para a mansão
Após cumprir seis meses de prisão por sonegação fiscal, evasão de divisas e operações de câmbio irregulares, a socialite brasiliense Wilma Magalhães retorna à rotina de festas e prepara lançamento de livro

TEXTO FERNANDA MENDES FOTO ROBERTO CASTRO/ AG. ISTOÉ

Na prisão, ela dividiu a cela com 12 presas e sentiu falta da bebida preferida: “É um absurdo a gente ficar sem champanhe na cadeia”

Wilma Magalhães chega sorridente. Ela traz no pulso um relógio Bulgari, comprado em Paris. Óculos: Dolce & Gabbana. Depois de ser condenada a cinco anos e quatro meses por sonegação fiscal, evasão de divisas e operação de câmbio não autorizada pelo Banco Central, a emergente-símbolo de Brasília está livre. “Livre para beber muito champanhe!”, comemora, em meio a uma profusão de garrafas multicoloridas com rótulos famosos: Moët & Chandon, Château Pétrus e Laurent Pierre Rosé. “O sistema penitenciário poderia permitir aos presos tomarem champanhe pelo menos nos dias de comemoração. É um absurdo a gente ficar sem champanhe na cadeia”, reclama. Sua pena foi reduzida a seis meses na prisão, dividindo um banheiro com 12 companheiras no Presídio Feminino de Brasília. “A cela era menor que o banheiro da minha casa”, sorri, segurando os lábios. “É que meu Botox está atrasado”, explica. Wilma foi libertada graças a um habeas-corpus concedido pelo Superior Tribunal de Justiça.

Apesar da cadeia, a vida parece ter reservado a ela algumas regalias. Em janeiro, antes de terminar a liberdade condicional, ela embarcou para Paris. “Fiquei um mês em Paris e meu advogado me disse que eu era doida, que eu estava querendo ser presa no aeroporto”, diz ela, soltando uma gargalhada. Lá, Wilma descansou, reviu amigos e familiares e aproveitou para escrever o último dos 18 capítulos do livro: Banho de Sol – O Glamour Atrás das Grades. “Descobri que podemos ser chiques em qualquer lugar, entendeu? Até na cadeia”, diz.

Na mansão onde mora, no Lago Sul, bairro nobre de Brasília, os tapetes cobrem a tábua corrida que está por toda a parte. Famosa por temperar suas festas com pó de ouro, Wilma enriqueceu, nos anos 90, com empresas de câmbio, factoring e turismo. Começou a ser investigada no esquema de lavagem de dinheiro do deputado João Alves, o chefe da quadrilha do Orçamento. O deputado ganhou mais de 200 vezes na loteria e ao final disse que recebeu a ajuda de Deus. Wilma admite ter feito negócio com um assessor do deputado. O esquema ficou conhecido como “Anões do Orçamento”. “E agora querem me chamar de Branca de Neve dos Anões do Orçamento”, reclama.

Enxoval
Depois da prisão, ela diz que este é o grande momento de sua vida. “Penso que foi sorte ter acontecido isso. Pela experiência”, diz. Mesmo na hora de trocar a vida de luxo por uma cela de cadeia, a emergente diz que não perdeu a pose. “Eu fiz meu enxoval e levei. Tudo branquinho. A vida continuou uma festa”, diz. “Senti falta apenas de um espelho na cela.”

Presença garantida no colunismo social de Brasília, a empresária volta com nova energia a sua rotina. E novas plásticas. “Já fiz três lipos. Botox, um a cada quatro meses. Não me descuido nunca.”

Wilma comprou um jornal já quase falido e pretende reinventá-lo. Voltou a presidir a revista WM e o Portal W, que levam sua marca. Agora, negocia um novo programa de televisão. O livro que pretende lançar está em fase de acabamento e só precisa de uma editora. Na capa, ela aparece atrás das grades e com raios dourados refletindo em si. “É preciso mostrar que vivi coisas boas e com grande estilo na prisão”, conta. “Será um livro de auto-ajuda.”

Na publicação, ela conta como usou os pensamentos positivos para viver os dias de cárcere. “Pensar nas minhas viagens e no meu champanhe foi o que mais fazia meu coração pulsar quando estava presa”, conta. A lei brasileira bate na tecla da ressocialização do preso ao término da pena. Para ela, a ressocialização começa quando ela sai da cela e entra num avião rumo a Paris. Wilma acha que não precisa se justificar sobre mais nada.