Teatro • Home• Revista 26/2/2008
DRAMA
Dona Flor e Seus Dois Maridos
Atuações exageradas marcam adaptação teatral do livro de Jorge Amado

Daniel Schenker Wajnberg

Fotos: DIVULGAÇÃO
Carol Castro e Marcelo Faria em Dona Flor e Seus Dois Maridos: espetáculo soa limitado como acontecimento teatral

O CAMINHO mais interessante na transposição para o palco de uma obra tão conhecida como Dona Flor e Seus Dois Maridos parece ser o da busca por uma nova perspectiva em relação ao material original. Não é o caso da montagem de Pedro Vasconcelos, que ambiciona apenas apresentar o livro de Jorge Amado a quem ainda não o conhece. A proposta tem valor informativo, mas, por outro lado, soa algo limitada como acontecimento teatral.

Independentemente dessa questão, o espetáculo evidencia problemas. O principal: o rendimento do elenco coadjuvante, que incorre na caricatura. Ana Paula Bouzas e Elvira Helena, por exemplo, são bastante exageradas. Já os atores que interpretam os protagonistas conseguem melhor resultado. Duda Ribeiro potencializa o humor decorrente do comportamento retraído de Teodoro. Marcelo Faria compõe Vadinho com empenho evidente, apesar de realçar a malícia do malandro com um certo excesso de risos. E Carol Castro surge em cena como uma Dona Flor – pelo menos, em parte – monocórdia.

O diretor aposta demais em cenas nos corredores do teatro, possivelmente um recurso para envolver o público com mais rapidez. Como se vê, esta adaptação de Dona Flor e Seus Dois Maridos esbarra em muitos obstáculos. Mas não seria justo deixar de destacar o cenário de Ronald Teixeira – em especial, o belo panorama das fachadas das casas – e a iluminação de Luciano Xavier, que não fica restrita à valorização das tradicionais cores quentes.

Teatro das Artes – r. Marquês de São Vicente, 52
(Shopping da Gávea), Rio, tel. (21) 2540-6004. Até 6/4.