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Novelas

Sexualidade em discussão
Em Caminhos do Coração, Danilo (Claudio Heinrich) é gay, mas se casa com uma mulher. Em Duas Caras, Bernardinho (Thiago Mendonça) já foi até flagrado com um homem, mas pode ter um filho

Em emissoras diferentes, dois personagens motivam as mesmas discussões sobre sexualidade. Bernardinho, interpretado por Thiago Mendonça em Duas Caras, da Globo, e Danilo, papel de Claudio Heinrich em Caminhos do Coração, da Record, são gays, mas se relacionam com mulheres. Embora as abordagens do tema sejam bastante diferentes, os atores apontam uma característica em comum: o fato de terem o que chamam de “papel social”. Aina Pinto

Ping-Pong CLAUDIO HEINRICH

“Meu melhor personagem”

Heinrich: homossexual com humor

Qual a maior dificuldade para compor Danilo?
Encontrar o tom certo foi a minha maior preocupação porque, como há cenas cômicas, poderia ficar agressivo. O personagem tem um papel social, de discutir a discriminação dentro da própria família. A repercussão é muito boa. Meus amigos me sacaneiam, mas dizem que está bom. A comunidade gay, que sempre acompanhou a minha carreira, também tem gostado. Conversei com várias pessoas antes de a novela começar e o que mais ouvi foi sobre a dificuldade de relacionamento com os pais. Esse problema na família é muito doloroso. Nas cenas com Aristóteles (André di Biasi), pai de Danilo, procuro passar essa tensão, mas com humor.

Há queixas pelo fato de o personagem não assumir a homossexualidade. Como lida com essas críticas?
Essa situação, de ter uma namorada de fachada para a família, é real. Pode não ser tão exagerada como é no caso dele, pois é um personagem cômico, mas acontece. Ele se casa com Lúcia (Fernanda Nobre) e ela sabe que ele é gay, mas está apaixonada por ele, que não a engana.

Qual a diferença entre os mocinhos que sempre interpretou e Danilo?
Os mocinhos eram sempre muito próximos da minha realidade. Danilo é o meu melhor personagem. Ele é feminino, adora moda, mas não pode demonstrar isso. Gostei do índio de Uga Uga (2000), mas o Danilo está na frente na minha preferência.

Há a possibilidade de Danilo ter um namorado? Ou ele será um vilão na novela?
Ele é ambicioso e, para que o pai deixe a empresa com ele, arma toda essa situação, inclusive o casamento. Mas há chances de, no final da novela, aparecer algum cara para ele.

Ping-Pong THIAGO MENDONÇA

“Relacionamento sem modelo”

Fotos: DIVULGAÇÃO
Mendonça: abordagem respeitosa

Costuma conversar nas ruas sobre o personagem? Que tipo de abordagem é feita a você?
É impressionante o alcance da tevê. Fiz Dois Filhos de Francisco (o ator foi Luciano), que teve uma bilheteria enorme (mais de 5 milhões de pessoas), e não tive esse retorno. As pessoas abordam de forma respeitosa. Nunca fui agredido. Esse tipo de papel é instigante porque tem uma função social, incita ao debate e nos faz pensar nos nossos preconceitos.

Como você define o relacionamento atual de Bernardinho?
Relacionamentos não devem seguir um modelo. O Bernardinho é como milhares de pessoas, tem uma índole bacana, tem a sexualidade dele, cuida da própria vida. Ele se envolve com a Dália (Leona Cavalli), mas ela também tem outro namorado, o Heraldo (Alexandre Slaviero). Quem sabe eles não formam um triângulo amoroso feliz? Quem sabe os três não se completam?

Já ouviu queixas de gays sobre o personagem?
Se elas existem, não chegaram a mim. A cena em que Bernardinho foi flagrado com outro homem foi elogiada. Foi um diálogo ousado e próximo da realidade. Pode ser que nem tudo fosse daquele jeito, que muitos não teriam a coragem de enfrentar o pai, mas acho que a novela é uma das que melhor retrataram essa situação.

Ping-Pong DAN STULBACH

Dan Stulbach emagreceu cinco quilos para o personagem

Um personagem mágico
Em seu primeiro papel como protagonista na tevê, Dan Stulbach vive Léo, um homem que sofre de esclerose múltipla, na minissérie Queridos Amigos. Emocionado, ele conta como se preparou para o personagem, fala de amizade e como lida com a morte.

Como foi sua preparação?
Falei com algumas pessoas que enfrentam a doença e emagreci cerca de cinco quilos para passar a idéia de fragilidade. O Léo é um cara que desiste de lutar e larga o tratamento. Mas é um ato de vida, de rebeldia, de querer fazer tudo aos 46 minutos do segundo tempo.

A trama se passa em 1989, uma época de boas lembranças para você?
Esse foi o ano em que entrei para a Escola de Arte Dramática da USP (Universidade de São Paulo) para ser ator. Com certeza, foi a década que mais influenciou a minha vida. Foi quando assisti ao meu primeiro comício e vivenciei as Diretas Já.

Queridos Amigos fala sobre amizade. Faria tudo por um amigo?
Tudo, não (risos). Mas adoro ter os amigos por perto. Outro dia nasceu o filho de um deles, então peguei o último vôo depois das gravações, fui à maternidade, dei literalmente um abraço, choramos, e no dia seguinte levantei às 6h para pegar um avião e voltar para gravar. Essas coisas valem a pena.

Como foi aprender truques de mágica?
Ensaiei bastante truques como tirar moeda de trás da orelha, fazer aparecer coisas e a manejar cartas. A mágica tem a ver com a personalidade do personagem, já que o texto diz que ele brinca com as pessoas como se fosse mágica. Compus o papel em cima disso.

Tem medo da morte?
Não tenho fascínio pela morte. A gente tem muitos medos, mas o maior deles talvez seja o de não conseguir fazer coisa úteis e bonitas nessa passagem pela Terra.
João Bernardo Caldeira