Carreira • Home• Revista 19/2/2008
Revelações de Julia Lemmertz
Linda aos 44 anos, a atriz admite ter experimentado drogas na juventude, conta que comprou um vibrador recentemente e fala sobre a vida ao lado de Alexandre Borges

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“Casamento para mim é uma construção de vida. Acho que a gente está junto esse tempo todo porque a gente pensa mais na frente”, diz Julia

Neste verão, Julia Lemmertz emplacou dois trabalhos bem distintos no cinema. No blockbuster brasileiro Meu Nome Não É Johnny, já visto por quase 2 milhões de pessoas, ela interpreta a mãe de João Estrela (Selton Mello), um jovem da classe média carioca viciado em cocaína que se converteu em um dos grandes traficantes do Rio, numa história pinçada da vida real. Em Mulheres, Sexo, Mentiras e Verdades, Julia é a protagonista de um drama que costura depoimentos reais e ficcionais sobre a sexualidade feminina, sem pudores. Os dois filmes, gravados com quase um ano de intervalo, por coincidência, entraram em cartaz juntos, evidenciando mais uma vez a competência de Julia. Em Johnny, por exemplo, sua personagem atravessa um espaço de pelo menos 20 anos, com a mesma cara e os mesmos cabelos, mas isto passa despercebido do público e da crítica, distraídos pelo talento dramático da atriz.

Aos 44 anos, linda, bem casada e realizada profissionalmente, Julia jamais se afetou com a fama. É ela própria quem retorna o telefonema da reportagem para marcar a entrevista, no café de uma livraria próxima de sua casa, em Ipanema. No dia combinado, 20 minutos antes do horário, lá está ela, serena e simpática. Com 1,80m de altura, os cabelos ainda secando e a cara limpa, Julia diz que nunca foi uma mulher de muitos pudores no trabalho ou na vida. E ela não mente. Nesta entrevista, além de conversar sobre cinema, carreira e casamento, admite com naturalidade já ter provado todos os tipos de droga na juventude, bem como ter comprado recentemente um vibrador.

Julia ainda se coloca como apenas mais uma mulher a enfrentar um problema universal do relacionamento a dois. Sim, seu marido há 14 anos, o ator Alexandre Borges, como todos os homens, oferece uma certa resistência em discutir a relação. E ela explica: “Cara, a gente não vive glamour, essa coisa de celebridade, a gente é normal, tem casa, filhos, empregada, tem dor de barriga. Não somos modelo para nada. Nem pretendemos ser assim. Eu entendo que a mídia tenha curiosidade sobre nós, principalmente pelo fato de a gente não ter muita notícia para dar. Somos um casal normal.”

O longa Mulheres, apesar de tratar quase que exclusivamente de sexo, um tema de forte apelo, tem atraído pouco público...
É difícil, porque o filme só tem cinco ou seis cópias. Acho que, para o primeiro filme de um diretor, é muito corajoso, porque fala sobre sexo e as pessoas se assustam com isso. Porque não é um filme de sacanagem. É um filme que fala de sexo e não faz sexo.

Você se considera uma mulher sexualmente liberada?
Não sei se liberada, mas resolvida sim. O plano sexual sempre foi muito tranqüilo para mim. Nunca tive muitos pudores, tanto no meu trabalho quanto na minha vida. Acho que bom sexo é sinônimo de saúde, de vida bem vivida.

Pegando carona em outro filme em cartaz, sexo é bom só com amor?
Sexo para mim é com amor. Minha idéia de sexo é muito amorosa, é um contato amoroso. Pode ser que um dia eu diga “pronto, agora vou me liberar: sexo é uma coisa, amor é outra”. Mas por enquanto acho esta visão muito masculina.

No filme, sua personagem vai a uma sex shop. Foi sua primeira vez em uma loja do gênero ou você já tinha ido às compras?
Não, eu já tinha ido antes, mas fiz compras na época do filme, porque achei coisas inacreditáveis ali..

O que você comprou?
Ah, óleo de massagens, lingerie... um vibrador. Coisa pouca. Porque tem coisas bem mais radicais. Tem aquele Rabbit (vibrador giratório com estimulador clitoriano), que é uma loucura, é uma competição desleal, né? (Risos). É divertido você pensar que tem gente que fica elocubrando aquelas coisas, projetando aqueles produtos. É realmente uma indústria do sexo. E os produtos são para você se divertir e levar para o lado lúdico..

Você ficou constrangida ao fazer aquela cena de masturbação no chuveiro?
Aquilo foi tão pouquinho, tão rápido. Para quem fez Um Copo de Cólera, aquilo ali não foi nada.

"NUNCA TIVE MUITOS PUDORES, TANTO NO MEU TRABALHO QUANTO NA MINHA VIDA.ACHO QUE BOM SEXO É SINÔNIMO DE SAÚDE, DE VIDA BEM VIVIDA"

Mas Um Copo de Cólera teve uma reação moralista, não foi mesmo?
Nada demais. Eu e o Alê (Alexandre Borges) tivemos que explicar, em algum momento, se as cenas de sexo tinham sido reais. Acharam que era sexo explícito. E nós agradecemos, porque isso quer dizer que fizemos tão bem as cenas que acharam que era de verdade. Só que não foi. Não íamos expor a nossa intimidade assim à toa. Aquilo ali deu muito trabalho. Nós ensaiamos dois meses a parte da transa, com o Angel Viana. Foi um trabalho seríssimo, de corpo mesmo, de como fazer, como pegar, como ficar, como respirar, tudo, enfim. As cenas de sexo eram uma coreografia, e ficou bem bacana.

Ciúmes não fazem parte do script do casal Julia e Alexandre Borges. “A gente leva mais para o lado da brincadeira. É um sentimento bem ruinzinho”
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