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As Revelações Picantes dos Grandes Chefs
Autor de Transpotting cria personagens ricos e narrativa movimentada

IRVINE WELSH, autor do cultuado Trainspotting (1993), exercita com excelência sua veia cômica temperada com ironia em As Revelações Picantes dos Grandes Chefs (Rocco, 432 págs. R$ 52). Apesar de o título incitar curiosidade nos fãs da gastronomia, este é um romance moderno, de personagens ricos, e que aborda o universo dos restaurantes porque seu protagonista, Danny Skinner, é um fiscal da vigilância sanitária de Edimburgo.

Danny é um bad boy que curte mais os bares e as drogas do que sua namorada e seu trabalho. Jovem, ele possui uma ira latente dentro de si e não se conforma, por exemplo, com a impunidade de um chef-celebridade da tevê, cujo restaurante é imundo.

Irvine Welsh: romance moderno sobre as ironias da vida

Não à toa, Danny desenvolve ainda uma aversão intensa e imediata pelo novo funcionário de seu departamento, que é o oposto dele em vários sentidos. Brian Kibby é um pós-adolescente virgem, nervoso, viciado em videogames e que faz tudo para agradar ao chefe e aos colegas de trabalho.

Quando os dois passam a disputar um cargo, um duelo inusitado começa. Ao mesmo tempo, o pai de Kibby morre, e Danny resolve descobrir a identidade de seu próprio progenitor, que nunca conheceu. Ele acredita que essa revelação ajudará a encontrar um sentido para sua vida obsessiva e caótica.

E, como movimento não falta na narrativa de Welsh, logo Danny vai parar em San Francisco por conta de sua busca. Seu antagonista, entretanto, contrai uma doença misteriosa, e Danny passa a encarar um dilema.

São as ironias da vida de Danny, costuradas com destreza pelo escritor, que entretém o leitor nesta história que renderia também um bom roteiro de cinema. Marina Monzillo

Coletânea

Saudação aos mortos
Livro reúne textos publicados na sessão de obituários do New York Times

Aqui no Brasil pode até parecer um hábito mórbido, mas ler sessão de obituários em outros países é muito natural. Tanto que a coluna do New York Times é uma das mais lidas do jornal e tem status de boa literatura, como se comprova em O Livro das Vidas (Companhia das Letras, 312 págs., R$ 48), com textos publicados no jornal. Organizada por Matinas Suzuki Jr., a publicação reúne biografias de pessoas anônimas, mas que foram importantes na área em que atuaram.

A que abre o livro é a do “Calvin Klein do espaço”, Russell Colley, que queria ser estilista de roupas femininas quando criança, mas se tornou engenheiro e passou a fazer trajes usados em viagens espaciais. Há ainda Jerry Siegel, inventor do Super-Homem, que vendeu os direitos de sua criação por US$ 130; a cientista Barbara McClintock, que ganhou um Nobel por suas descobertas sobre genética, mas antes se negava a publicar suas pesquisas por achar que ninguém acreditaria nelas. Há até o obituário do jornalista Jeffrey Schmalz, “o cara do New York Times com aids”.

Os mortos são tratados sem grandes liturgias. Em um dos textos, “A Musa Junkie”, Herbert Huncke é descrito como um “carismático garoto de programa, ladrãozinho e viciado”. O que importa é a narrativa das vidas. No caso, a do homem que inspirou a geração beatnik.

De certa forma, além de contar sobre essas pessoas, o livro é também um retrato dos últimos cem anos, por contar algumas das coisas mais importantes do período, como a corrida espacial, descobertas científicas e até mesmo a criação do Super-Homem. No pósfácio, Matinas Suzuki Jr. fala sobre o estilo, as mudanças e os inventores do estilo adotado na sessão de obituários daquele jornal. Aina Pinto