Cinema • Home• Revista 19/2/2008
Antes de Partir
Jack Nicholson e Morgan Freeman protagonizam história de riso e lágrimas

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DRAMA

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Antes de Partir: o roteiro tem fraquezas, mas é capaz de emocionar

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O QUE VOCÊ colocaria na lista de coisas que deseja fazer antes de morrer? Em Antes de Partir, dirigido por Rob Reiner (Harry & Sally – Feitos Um Para o Outro), Edward Cole e Carter Chambers têm idéias bem diferentes do que gostariam de realizar. Afinal, ambos levaram vidas muito diversas até se encontrarem num quarto compartilhado de hospital, onde são tratados de câncer terminal.

Enquanto Edward, dono do hospital em questão, dedicou-se a ganhar dinheiro a todo custo, deixando a família de lado e fazendo questão de ser odiado por todos, o mecânico Carter foi um homem que abriu mão de seus sonhos para dar o melhor à esposa, aos filhos e netos.

Contrariando a tudo e a todos, essa dupla improvável decide aproveitar o pouco tempo que lhe resta e colocar a tal lista em prática. Eles saem, então, em uma viagem pelo mundo fazendo de tudo um pouco, até mesmo tentar escalar o Everest. E assim desenvolvem uma amizade tardia, aprendem lições um com o outro e experimentam sentimentos novos aos 46 minutos do segundo tempo. Claro que daí vem a redenção dos personagens, motivada por algum acontecimento marcante – no caso, a notícia da morte iminente –, que Hollywood adora mostrar em seus dramas.

É difícil imaginar outros atores além de Jack Nicholson e Morgan Freeman para interpretar Edward e Carter. Edward tem a ironia e o humor mal-humorado tão característicos de Nicholson, que muitos criticam, pois tem-se a impressão de que a personalidade do ator aparece mais na tela do que seus personagens. Já Carter tem a simplicidade e aquela sabedoria plácida de Freeman, presentes em tantos outros trabalhos dele, como Garota de Ouro e Um Sonho de Liberdade.

O câncer é um tema difícil. Doença, cirurgia, sofrimento e perda são tratados de forma leve. Entretanto, há fraquezas no roteiro que não ajudam: é preciso ser ingênuo para comprar certas idéias, como a vontade de saltar de pára-quedas dias depois de sessões de quimioterapia, e um hospital onde não existem os lucrativos serviços VIP.

Antes de Partir oferece, sim, mais do mesmo de Hollywood, mas o mesmo pode ser bom. Bom porque Nicholson e Freeman dispensam elogios e exacerbam carisma, e porque o filme proporciona aquilo que essencialmente se busca no cinema: emoção, seja por meio das lágrimas ou do riso. Nesse caso, as duas coisas. Marina Monzillo