Livros • Home• Revista 12/2/2008
Uma vida dedicada à beleza
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O cirurgião plástico Ivo Pitanguy autografa seu livro de memórias

Aprendiz do Tempo
O cirurgião plástico Ivo Pitanguy é mais discreto do que se gostaria em sua autobiografia, Aprendiz do Tempo – Histórias Vividas (Nova Fronteira, 300 págs., R$ 44,90). Celebridades de todo o mundo passaram por seu bisturi, mas ele não revela nomes. Para compensar, recheia a obra com saborosas lembranças.

TAL PAI, TAL FILHO “Seu comportamento me intrigava. Perguntava-me por que aquele homem que chegava em casa tão cansado saía na manhã seguinte cheio de entusiasmo. Não conseguia entender por que aquela profissão, que lhe tomava todo o tempo e o impedia de aproveitar a vida, criava nele tanto ânimo. Ele mesmo deu a resposta: ‘A medicina dá a satisfação de ser útil. O médico traz esperança’.”

BICHO DE ESTIMAÇÃO “Minha mãe, meu pai... e muitas outras pessoas ficaram bastante preocupadas, se não aterrorizadas, quando me tomei de amores por uma jibóia... Comigo ela tinha a doçura de um cachorrinho... Em Belo Horizonte, os bondes costumavam andar lotados... eu era prensado sem a menor consideração... No dia em que entrei no vagão com a jibóia enrolada no pescoço, em pouco tempo fiquei sozinho.”

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PERNA SOLTA “Um dia, meu pai amputou uma perna...Querendo ajudar... resolvi levar aquele membro para o cemitério...Prendi o embrulho sobre o bagageiro de minha moto. Ia a toda velocidade... quando vi meu amigo Fernando Sabino. Freei violentamente... o fardo caiu no asfalto e Fernando correu para recolhê-lo... – O que é isso? – Uma perna. Fernando ficou completamente pálido e desabou na rua.”

CIRURGIA DO DETALHE “Os casos que mais me interessavam eram os que menos preocupavam meus colegas. Não apenas os ferimentos nas mãos e nos tendões, mas também os traumatismos do rosto. A ‘cirurgia do detalhe’... Meus colegas, para quem uma apendicite aguda ou uma úlcera perfurada pareciam bem mais interessantes do que uma face recortada por cacos de garrafa, deixavam com alívio esses casos para mim.”

ARTE CONDENADA “Na época, os raros cirurgiões estéticos que trabalhavam no Rio não tinham uma formação geral, o que os colocava à parte do corpo médico docente, que considerava pouco importante esse trabalho. A cirurgia plástica era tão desconsiderada que os raros colegas que nela se aventuravam não faziam nenhuma questão de divulgar. Proporcionar a beleza era uma arte proscrita.” Suzana Uchôa Itiberê