Livros • Home• Revista 12/2/2008
Refugo de Guerra
Obra do chinês Ha Jin trata de homem perdido no vaivém da História de maneira hábil

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Ha Jin constrói um protagonista completo e dá conta de complexo pano de fundo

ROMANCE
É DE UM HOMEM perdido no vaivém da História que trata Refugo de Guerra (Companhia das Letras, 464 págs., R$ 59), do chinês Ha Jin. O próprio autor sabe bem do que está falando: filho de oficial, serviu no exército e estava nos Estados Unidos quando aconteceu o massacre da Paz Celestial. Decidiu não voltar para seu país.

O protagonista, Yu Yuan, é um sujeito humilde, que busca uma oportunidade de vida ao cursar a mais prestigiada academia militar da China quando os comunistas tomam o poder. Independentemente de suas convicções políticas, ele é forçado a se tornar voluntário do exército de Mao Tsé-tung e enviado para a Guerra da Coréia. O despreparo diante dos americanos fica logo evidente, e sua unidade é aniquilada.

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Ferido e aprisionado pelo exército dos EUA, conta com alguma compaixão de uma médica, mas, afinal, ele é o inimigo.

Dentro do campo, são os nacionalistas derrotados na revolução comunista que comandam, e Yuan sofre por querer voltar à China continental em vez de aceitar ir para Taiwan. Seus motivos são os mais legítimos: quer cuidar da mãe e reencontrar a noiva, mas subjetividades não são aceitas pela guerra. Mais tarde, serão os comunistas a desconfiar dele.

A narrativa de Ha Jin demora um pouco a conquistar o leitor. Mas ele é hábil em construir um personagem completo e também em dar conta do pano de fundo complicado em tempos de conflito. Yu Yuan passa por uma verdadeira jornada de herói, sendo, no entanto, apenas um homem normal. Mariane Morisawa
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