Sucesso • Home• Revista 12/2/2008
Fernanda Young Longe da Irritação
No conforto de sua casa,a apresentadora abre o coração para falar sobre a paixão pelo trabalho, os momentos de lazer ao lado das filhas gêmeas e sua reação às críticas

TEXTO THAÍS BOTELHO FOTO RUBENS CHAVES/AG. ISTOÉ

No sofá de sua sala, Fernanda Young passa o tempo lendo. “Minha última aquisição foi a biografia, em francês, da cantora Maria Callas”

Se o termo multifuncional pudesse ser aplicado a pessoas, da mesma forma que usamos para aqueles eletrodomésticos que fazem um pouco de tudo, ele se encaixaria perfeitamente em Fernanda Young. Aos 37 anos, esta “carioca” de Niterói, como se define, se divide entre as funções de escritora, roteirista, apresentadora de tevê e mãe. “Escrevo desde os 17 anos e só lancei os meus ‘rascunhos’ quando percebi que realmente eram bons”, confessa ela, que publicou seu primeiro romance, Vergonha dos Pés, aos 26 anos. “Diferentemente de muitos, não fui apadrinhada. Surgi como uma pessoa muito preparada no que faz.”

Depois de assinar o roteiro de séries de sucesso como Comédias da Vida Privada, Os Normais e O Sistema, sete romances e um livro de poesia, Fernanda se sentiu à vontade para novos vôos.

Primeiro veio a experiência como apresentadora do programa Saia Justa, na GNT. Agora, mais segura, ela se prepara para comemorar dois anos à frente do Irritando Fernanda Young, no mesmo canal. “No começo me abalei com os comentários maldosos sobre meu trabalho, mas vi que o Brasil é muito maior do que meia dúzia de críticos do eixo Rio-São Paulo.”

Mesmo com a agenda lotada, Fernanda não deixa de lado seu posto de mãe e esposa. “Vivo para eles e busco estar o mais presente possível”, diz ela, referindose às gêmeas à Cecília Madonna e Estela May, de sete anos, e ao roteirista Alexandre Machado, com quem é casada há 15 anos.

Não consigo entrevistar alguém que não me desperte um mínimo de interesse
FERNANDA YOUNG

Irritando Fernanda Young
“Não consigo entrevistar alguém que não me instigue alguma curiosidade ” , diz Fernanda, que em 2007 ganhou o prêmio de melhor programa de entrevistas, da Associação Paulista dos Críticos de Artes (APCA). Fã de Chico Buarque e Fernanda Montenegro, ela não se intimida em dizer que a insegurança ainda bate quando chega a hora de entrevistar seus ídolos. “Fico apreensiva só de pensar em falar com o Chico. Ele é como um ídolo, perfeito. Deixa ele lá”, diz ela, aos risos.

Em um dos móveis da casa, Fernanda guarda com carinho a luminária que ganhou de uma fã, na época do Saia Justa

Mãe e mulher
Quando está com as filhas Cecília e Estela, Fernanda se esquece da escritora e apresentadora durona. “Adoro passar horas cantando no karaokê com as meninas e o Alexandre. Rimos demais.” No dia-a-dia, ela tenta conciliar a carreira com a vida doméstica. Cozinha, leva as filhas para a escola e conta histórias para elas dormirem. “Eu e elas precisamos disso, é um momento único.” No tempo livre, se diverte ao lado do marido lendo, assistindo a seriados e programas de tevê. “Ficamos adivinhando o que vai acontecer nas histórias e pensando no que faríamos se fôssemos aquele personagem. É só risada.”

Sensibilidade à flor da pele
Ela já foi chamada de egocêntrica, durona e insensível. Mas Fernanda garante que no fundo esconde uma alma sensível, capaz de chorar à toa. “Lembro de ter me emocionado muito quando vi um mendigo pela primeira vez”, disse ela, que chegou a se revoltar com Deus, após sofrer um aborto espontâneo no fim de 2007. “Fiquei mal, mas depois acabei entendendo.”

Vaidade velada
Fernanda é do tipo que não sai de casa sem batom, não abre mão dos exercícios físicos, já fez cirurgia plástica e aplicação de botox. Ainda assim, não se considera uma pessoa vaidosa. Segundo ela, o cuidado com o corpo só veio após o nascimento das filhas. “Engordei 30 quilos e perdi a noção do meu espaço. Tive que lutar muito para recuperar minha forma e me encontrar novamente. Aquela não era eu”, conta a roteirista.

Celebridade
Avessa a badalações, Fernanda Young faz de tudo para fugir do rótulo de celebridade. A única licença é para os momentos em que se vale da fama para vender livros. “A popularidade ajuda.” Em vez de vernissagens e lançamentos cheios de paparazzi, ela prefere a companhia dos amigos mais íntimos em um botequim. “Como boa carioca, não dispenso uma cerveja, tranqüila.”

Em seu dúplex, em São Paulo, Fernanda mistura diferentes referências, indo do clássico ao kitsch. Acima, ela posa ao lado do abajur do Elvis. Ao lado, exibe sua coleção de CDs