Ensaio • Home• Revista 12/2/2008
O Palco de Giane Albertoni
A modelo que estreou no teatro e planeja dividir-se entre o palco e a passarela, fala da vida nova no rio, da distância do namorado e sobre a perda da mãe.

TEXTO CAMILLA GABRIELLA

De short jeans, camiseta e óculos escuros, Giane Albertoni chamou a atenção ao chegar à Livraria Letras & Expressões, em Ipanema, no Rio, com seu 1.80m e 58kg. Assim que sentou, pediu um sanduíche de pão francês com salada. “Você pode tirar o miolo do pão?”, pediu, gentilmente, ao garçom. Enquanto saboreava o sanduíche, Giane contou que está feliz com a estréia em teatro na peça Você Está Aqui, de Fernando Ceylão, em cartaz no teatro Cândido Mendes. Ela interpreta uma obesa mórbida que vive o eterno conflito entre ficar gorda ou parar de comer. Realidade muito diferente da modelo, de 26 anos, que sempre foi “magrela” e na escola tinha o apelido de pau-de-sebo. Há seis anos namorando o arquiteto Sérgio Gobetti, que mora em São Paulo, ela revela que casamento não está entre seus planos imediatos e diz que pretende conciliar as duas profissões enquanto for possível.

Vida nova
“Praticamente mudei de São Paulo para o Rio por causa da peça, mas estou conseguindo encontrar tempo para fazer alguns trabalhos de modelo. Dei uma desacelerada para me dedicar exclusivamente ao teatro. Estou amando morar no Rio. A minha casa mesmo é em São Paulo, mas nunca consegui ficar muito tempo nela. Fico angustiada quando minha vida cai na rotina.”

Passarela x Palco
“Vou conciliar a profissão de modelo e atriz até quando puder porque gosto das duas. A duração da carreira de modelo depende de como você leva. Eu trabalho há mais de dez anos. Faço por paixão. Quando você faz o que gosta, faz melhor.”

Atriz
“Estudo teatro há mais de dois anos. Não sei exatamente como surgiu a vontade de ser atriz, mas sei que estou adorando. Adoro esse contato com o público. Dá um frio na barriga diferente de quando estou na passarela. É a mesma adrenalina, mas é outra a sensação.”

Fama
“Nunca me deslumbrei. Trabalhei com Kate Moss, Cindy Crawford... Para mim, o reconhecimento do trabalho é a fama. Ela pode ter um lado bom, mas, como tudo, tem um preço. A fama tira a privacidade, mas tem o lado positivo de as pessoas reconhecerem seu trabalho.”

Independência
“Eu me sustento desde os 15 anos. Quem administra o meu dinheiro sou eu. Mas não gosto de falar sobre isso. Para mim, o dinheiro é para ser feliz. Estou satisfeita com o meu padrão.”

Dona de casa
“Sou péssima dona de casa. Não sei cozinhar, mas sei pedir comida. Até gosto de cozinhar, mas a minha comida não fica boa. Mas sou boa em outras tarefas, como organizar e limpar a casa.”

Beleza
“Tenho uma preocupação maior com o corpo porque sou modelo. Mas sempre fui magrela. Não sou aquela louca que pára de comer para emagrecer. Como tudo o que gosto, mas tento dividir a minha alimentação. Como de três em três horas em poucas quantidades. Treino boxe e ando de bicicleta. É lógico que na época de desfiles faço uma dieta mais rigorosa.”

Giane, que começou a trabalhar aos 13 anos, teve uma infância feliz “Eu era moleca. Corria descalça na rua e brincava com meu irmão de carrinho, bicicleta, pique. Eu não via revistas de moda”

Família
“Quando comecei a trabalhar como modelo tinha 13 anos. Sempre fui muito apegada à família. Se não fosse a minha mãe me acompanhando, não teria conseguido seguir em frente. Viajar sem parar, morar em hotéis, não ver os amigos, ter que aprender várias línguas, muito nova... Ela ia para cuidar de mim. Não sabia nem pegar ônibus. Com 17 anos, estava mais segura e minha mãe não viajava mais comigo.”

Infância
“Eu era moleca. Ficava correndo descalça na rua. O meu irmão é dois anos e meio mais velho do que eu e brincávamos de tudo. Carrinho, bicicleta, pique. Não via revista de moda.”

Perda
“Minha mãe morreu, em conseqüencia de doença do coração, aos 50 anos, em fevereiro do ano passado. Perdi o chão. A gente se falava três vezes por dia. Ela era a minha melhor amiga. Tive muita sorte. Ela nunca decidiu por mim, mas explicava tudo e mostrava os caminhos. Você nunca supera quando perde uma pessoa muito próxima. A dor sempre fica ali. As coisas acontecem por uma razão, para fortalecer. Ela estará do meu lado para sempre. Vai continuar me dando força, luz e dando base para eu não ficar perdida. Mas é difícil... A dor e o buraco estão ali. Vão ficar para sempre.”

"SE NÃO FOSSE MINHA MÃE, NÃO TERIA CONSEGUIDO SEGUIR EM FRENTE. ELA MORREU EM FEVEREIRO DO ANO PASSADO. PERDI O CHÃO"
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