Carreira • Home• Revista 12/2/2008
Virei mulher
Filha do novelista Manoel Carlos, Julia Almeida faz sua primeira novela sem a assinatura do pai, termina namoro de dois anos e conta como foi morar sozinha por três anos em Nova York

TEXTO CAMILLA GABRIELLA

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Maquiagem: RICARDO TAVARES
"Fui mimada a vida inteira. Morava com meus pais e precisava viver essa experiência", diz a atriz, sobre os três anos em Nova York

Ela experimentou o gostinho de não ser reconhecida durante os três anos em que morou em Nova York. Lá, Julia Almeida, 25 anos, não fazia diferença. Era apenas mais uma entre os nova-iorquinos. De volta ao Brasil, depois de uma temporada de estudos, viu sua rotina mudar. No ar em Duas Caras, de Aguinaldo Silva, voltou a ser reconhecida nas ruas e nos lugares que freqüenta. A transformação causou estranheza a Julia, que já estava acostumada a viver no anonimato. Há poucos dias, às sete da manhã, estava no aeroporto Santos Dumont, no Rio, voltando de São Paulo, quando se deparou com uma mulher que não parava de olhá-la. Julia se sentiu desconfortável com a situação. Queria saber o porquê de estar sendo observada e resolveu encarar a moça. Minutos depois, a "ficha caiu" e ela se divertiu ao lembrar que está em uma novela do horário nobre. "Como é engraçado ficar tanto tempo fora do ar e agora voltar a ser reconhecida. Às vezes, estranho", diz ela. A passagem por Nova York foi transformadora. "Virei mulher. Antes era muito adolescente", resume. O tempo em que morou sozinha foi crucial para o amadurecimento. Julia passou a lidar com situações que até então não faziam parte de sua rotina. Nunca tinha precisado se preocupar em pagar as contas, ir ao supermercado e cozinhar. "Fui mimada a vida inteira. Morava com meus pais e precisava viver essa experiência. Você sabe que existem contas, mas você não vê. Tive orgulho de pagar as minhas contas", diz. Na temporada nos Estados Unidos, a atriz fez cursos de interpretação, roteiro, direção, história da arte e culinária. Aliás, cozinhar é o hobby de Julia. "É a profissão mais sedutora depois da minha. Adoro fazer massa, risoto.

Gosto de inventar pratos", conta ela. O retorno ao Brasil também provocou outras mudanças. Há um mês, ela terminou o namoro de dois anos com o diretor de tevê Felipe Coqueiro. Os dois se aproximaram e começaram a namorar quando ela estava em Nova York. Solteira por opção, Julia contou que está vivendo uma fase "muito egoísta". A experiência de morar fora lhe ajudou a conviver com a solidão. Hoje diz não sentir tanta falta de alguém do seu lado. "Terminamos bem. Não existe amor perfeito. Acredito na cumplicidade. Planejo a minha carreira, mas na vida pessoal vivo o momento", afirma. Impulsionar a carreira de atriz sem a proteção direta do pai, o novelista Manoel Carlos, tem sido uma de suas metas. Pela primeira vez, a atriz está atuando em um folhetim de outro autor. "A diferença é que agora me perguntam como é atuar numa novela que não é escrita pelo meu pai. Estou mais madura, não me importo com os comentários", diz. Aguinaldo Silva sai em defesa da atriz: "Sempre achei a Julia uma atriz muito talentosa, e fiquei revoltado com a campanha que fizeram contra ela só porque foi escalada para trabalhar na novela de Manoel Carlos. Gosto muito do trabalho dela". Julia deu adeus às meninas comportadas que vivia nas histórias do pai e hoje vive a sedutora Fernanda de Duas Caras, uma mulher ousada que usa roupas curtas e salto alto. Mas não faz o estilo mulher fatal. "Não me acho gostosona", conta. A volta à casa dos pais, depois de viver todo esse tempo sozinha, não foi nada fácil. Julia precisou conversar com a mãe, Beth Almeida, para fazê-la entender que "sua princesinha" havia crescido. "Precisava ser preto no branco, como diria a minha personagem. Ela é mãezona, liga o tempo todo", contou Julia, que se divide entre o flat e a casa dos pais, ambos no Leblon. Assim que Duas Caras terminar, ela pretende se mudar para a cobertura que ganhou dos pais, em São Conrado, ao completar 21 anos. "Agora tenho uma coisa que não tinha antes: privacidade", diz.

 

FOTO ALEXANDRE SANT'ANNA/ AG. ISTOÉ