Música • Home• Revista 6/2/2008
SAMBA
Aula de Samba
Mart'nália ensina história do Brasil por meio de antigos e belos enredos de Carnaval

Mauro Ferreira

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Fotos: DIVULGAÇÃO
Mart’nália: filha de Martinho da Vila convocou Maria Rita, Chico Buarque e outros para interpretar os sambas enredos

NINGUÉM aprende samba no colégio, já sentenciaram os compositores Noel Rosa (1910–1937) e Vadico (1910–1962) em verso lapidar de “Feitio de Oração”. Mas Mart’nália acredita que é possível ensinar história do Brasil na escola por meio de antigos enredos carnavalescos. Para tal, convocou nomes como Chico Buarque e Maria Rita para regravar sambas enredos históricos – em todos os sentidos – no CD Aula de Samba.

O disco foi produzido por Mart’nália com a segurança de quem aprendeu a lição em casa, pois seu pai, Martinho da Vila, é mestre no gênero, ao qual dedicou antológico álbum em 1980. Deste trabalho, aliás, Mart’nália pescou cinco dos onze sambas regravados sob sua batuta.

A idéia é boa. Contudo, Mart’nália esqueceu que tais sambas enredos apresentam versões idealizadas de passagens da história do Brasil. Exemplo é o retrato retocado de Getúlio Vargas esboçado em “O Grande Presidente” (Mangueira, 1956), samba defendido por Alcione. A verdadeira aula está na construção das melodias, urdidas em tempo em que os sambas enredos não perseguiam o acelerado compasso das marchas. Já não se faz mais samba como “Os Sertões” (Em Cima da Hora, 1976), interpretado pela simpatizante Fernanda Abreu. Pena que alguns intérpretes pareçam desanimados. Ao cantar “Exaltação a Tiradentes” (Império Serrano, 1949), Chico Buarque dá uma aula de como não se cantar samba-enredo.

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