Carreira • Home• Revista 29/1/2008
As diferentes faces de Marcelo Médici
O ator emplaca trabalhos no teatro e na tevê, dispensa o rótulo de humorista, fala da perda da mãe e participará da remontagem da peça o mistério de irma vap

TEXTO FÁBIO TORRES
FOTO ALEXANDRE SANT'ANNA


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O ator entre os simpáticos Preta e Juca, dois de seus quatro cães de estimação da raça maltês

Quem vê Marcelo Médici interpretando nove tipos cômicos no teatro, imagina que o ator não deixe as piadas de lado quando desce do palco. Sem perucas e figurinos, porém, o ator também sabe falar sério. No ar na novela Sete Pecados, ele repete no vídeo a sua já consagrada rotina de dar vida a muitos tipos. Na sinopse da novela, estava previsto que o ator começaria e encerraria o folhetim interpretando apenas o mordomo Antero, mas, ao longo dos últimos meses, ele já encarnou uma babá, um cozinheiro, um chinês e um faxineiro. A evolução do personagem deve-se, em grande parte, à versatilidade do ator, que já arrebatou muitos prêmios com a peça Cada um com seus pobrema, em cartaz há quatro anos. Apesar da facilidade para fazer o público rir, Marcelo não gosta de ser chamado de humorista.

“Eu não fiz escola de humor, fiz escola de teatro. Sou ator, não posso renegar isso, e sei que sou capaz de fazer drama e comédia. Sinto que no Brasil as pessoas têm necessidade de te botar um carimbo, e eu não quero este pra mim”, diz ele, enquanto saboreia uma água-de-coco em quiosque na praia de Ipanema.

Autor de Sete Pecados, Walcyr Carrasco faz coro. “É um grande intérprete, perfeito na composição de tipos. É sim um ator que faz muito bem humor, embora, realmente, não seja um humorista”, concorda. Filho de um comerciante e de uma cabeleireira, não foi fácil convencer o pai sobre sua opção profissional. “Ele relutou muito. Tinha muito medo da insegurança de nossa profissão”, conta. Já a mãe, 15 anos mais velha do que o pai, Genival, e morta de câncer de mama há 10 anos, sempre o apoiou na decisão de seguir carreira artística. Os dois tinham muita afinidade e Marcelo não esconde a emoção ao falar dela. “É estranho falar isso, mas minha mãe não errou. Quando nasci, ela já tinha 40 anos, então, se por um lado não brincou na praia ou correu comigo, por outro sempre teve segurança na sua conduta”, diz.

Sobre o período em que a mãe esteve doente, conta que foi a experiência mais difícil que já viveu. Ao assistir ao sofrimento de dona Henriqueta no hospital, tomou uma atitude desesperada.

“Meu amor é tão grande que fui a uma igreja e pedi, caso não houvesse um milagre, que ela descansasse rápido. No dia seguinte, morreu de mãos dadas comigo. Fiquei aliviado”, recorda. Uma década depois, ele mantém-se ligado à mãe. “Ouço músicas que ela gostava. Você fica sempre procurando algum vínculo com esta história”, afirma.

Marcelo mora com a avó materna, dona Dolores, de 93 anos, na Gávea, no Rio. Aos 36 anos, fala pouco sobre a vida afetiva. Revela apenas estar namorando “há bom tempo”. Filhos não estão em seus planos. Seu instinto paternal tem sido suprido na dedicação aos cachorros Preta, Juca, Nina e Ula, da raça maltês, a quem não poupa carinhos. Na esteira do sucesso no teatro e na tevê, Marcelo vai participar, em setembro, da remontagem da histórica produção teatral O Mistério de Irma Vap, com Cássio Scapin. O ator não teme comparações com a produção estrelada pelos atores Marco Nanini e Ney Latorraca, que ficou 11 anos em cartaz. “Não me cobro aquele sucesso. Quero fazer bem o meu trabalho.”