Cinema • Home• Revista 29/1/2008
Onde os Fracos Não Têm Vez
O melhor filme dos irmãos Coen desde Fargo concorre a oito Oscar

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VULGAÇÃO
Josh Brolin forma trinca de atores perfeita com Tommy Lee Jones e Javier Bardem

DRAMA
O TEXAS é uma terra dura com as pessoas. Cenário mítico do cinema americano, ele volta quase como personagem no faroeste modernizado Onde os Fracos Não Têm Vez, dirigido por Ethan e Joel Coen. Junto com Sangue Negro, de Paul Thomas Anderson, é a produção com mais indicações para o Oscar, oito (filme, direção, ator coadjuvante para Javier Bardem, roteiro adaptado, montagem, fotografia, som e edição de som).

Baseado no romance de Cormac McCarthy (ganhador do Pulitzer por A Estrada), o longa-metragem apóia-se num triângulo de personagens. Llewelyn Moss (Josh Brolin, que está por aí há tempos, mas virou a revelação do ano) é um veterano do Vietnã que mora num trailer. Numa caçada, ele depara com uma cena sangrenta, em que vários homens foram mortos numa negociação de drogas que não deu certo: no local ainda estão a heroína e uma mala com US$ 2 milhões. Ao decidir ficar com o dinheiro, Moss, um cara que provavelmente jamais seria capaz de cometer um crime, põe em seu encalço dois homens, o desequilibrado Anton Chigurh (Javier Bardem) e o desiludido xerife Bell (Tommy Lee Jones).

Com seus enormes espaços vazios, a região do Texas convida ao isolamento e cria gente dura na queda. Daí nasce a violência, que está entranhada na história do lugar. O que está diferente, diz o filme, é o sentido de honra e justiça, que se perdeu com o tempo. No Velho Oeste, era uma terra sem lei. Mas agora até o xerife, o mocinho que colocava os bandidos na cadeia ou para correr, vê-se impotente para conter o rastro de sangue deixado para trás nessa trama. "Não sei como reagir a isso", diz Bell.

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O humor, sempre existente nas obras dos irmãos Coen, apresenta-se também aqui. Em certos momentos, alivia a alta tensão deste drama. Os personagens são tratados com complexidade. O herói não é infalível. O vilão representa, sim, o mal absoluto, um sujeito que mata sem pudor e que por isso é incompreensível para a maioria. Mas, no longa, não é visto simploriamente. O maior enigma, no entanto, é Llewelyn Moss, incapaz de frear sua fuga com o dinheiro. Tais nuanças necessitavam de atores talentosos, e os diretores conseguiram uma trinca e tanto, sem contar Kelly MacDonald, que faz Carla Jean, mulher de Llewelyn. E assim os irmãos Coen fizeram seu melhor filme desde Fargo. Mariane Morisawa
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