Livros • Home• Revista 22/1/2008
BIOGRAFIA
Oscarito - o Riso e o Siso
Marcelo Lyra

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Oscarito: retratado como superior a Charles Chaplin

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BIÓGRAFOS costumam desenvolver um natural fascínio pelos biografados. É o caso de Flávio Marinho e seu Oscarito - o Riso e o Siso (Record, 336 págs., R$ 45), em que o comediante é retratado sempre como o mais genial, criativo e inteligente. Não que Oscarito não mereça elogios. Foi um ator carismático, com raro timing para a comédia.

No entanto, para Marinho, na comparação com Charles Chaplin, por exemplo, o inglês perde feio, citado como dono de um patetismo que tende à tragicomédia, inferior à contagiante alegria de Oscarito. Na verdade, Chaplin era um ator mais completo, além de ser diretor, roteirista etc.. O autor chega a inferiorizar Grande Otelo, que era igualmente talentoso.

Há erros grosseiros de português, como a palavra descendência no lugar de ascendência, mas o pior são erros de informação, como a afirmação de que a política da boa vizinhança dos EUA surgiu no pós-guerra, quando na verdade começou no início dos anos 40. Mais adiante diz que a crítica renegava as chanchadas por perceber a brasilidade na seca e nas favelas. No entanto, seca e favela tornaram-se mais presentes no Cinema Novo dos anos 60, enquanto o auge das chanchadas se deu nos anos 40-50.

O autor entrevistou Jô Soares, Dercy Gonçalves, Daniel Filho, a viúva Margot Louro e outros para obter informações. Antes de cada depoimento, Marinho antecipa o que vão dizer, tornando-se repetitivo. Em resumo, o comediante Oscarito ganhou uma biografia sem graça.

Flávio Marinho não soube manter um distanciamento na hora de escrever sobre a vida do comediante